Curitiba - A União Federal e o Estado do Paraná foram condenados a pagar indenização no valor de R$ 200 mil para Patrícia Ferreira da Silva, mãe de uma menina de dois anos e oito meses morta em 2006, por falta de UTI infantil. A criança morreu em curto período de tempo após ser atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Ponta Grossa. O juiz da 1ª Vara Federal do município, Fabrício Bittencourt da Cruz, foi quem determinou a multa sob acusação de danos morais. Como a decisão foi proferida nesta semana, ainda não foi aberto o prazo para apelação.
No dia 30 de outubro de 2006, por volta das 2 horas da madrugada, a vítima apresentou febre alta e foi encaminhada pela mãe até o Pronto Socorro Municipal. O médico plantonista aplicou duas injeções e a liberou. Quando acordou, ela continuava com febre associada a vômito. A criança foi encaminhada até o Posto de Saúde da Vila Cipa. Às 13h30, o médico solicitou uma ambulância para transportá-la até o Hospital Infantil, mas o veículo só chegou às 16h30 e a internação foi feita meia hora depois.
Na madrugada do dia seguinte, a paciente teve uma convulsão seguida de parada respiratória. Com o agravamento do estado de saúde o médico determinou, às 7 horas, a transferência para a UTI. Porém, Ponta Grossa não possuía UTI infantil na época. Por volta de 14 horas, ainda sem o leito, foi solicitada a realização de uma ressonância magnética na Clínica da Imagem. Durante o transporte, a menina morreu.
Segundo Cruz, houve omissão do Estado em não oferecer à população unidade de saúde intensiva para crianças. Além da multa por danos morais, também foi exigida indenização no valor de R$ 135.828,00 por danos materiais.
A mãe da vítima, Patrícia Ferreira da Silva, é balconista e tem mais dois filhos, de 8 e 11 anos. O marido é auxiliar de serviços gerais. ‘’O dinheiro não traz alegria, mas se eu não fizesse assim não teria UTI para crianças em Ponta Grossa. Não dava para acreditar que uma cidade desse tamanho não tinha isso. Precisou minha filha morrer para eles instalarem 10 UTIs infantis aqui. Mas ainda é pouco’’, desabafa.
A Secretaria de Estado da Saúde não se pronunciou sobre o assunto pois, segundo a assessoria de imprensa, ainda não recebeu a notificação da sentença.

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