Falta de uniformização de dados coloca em dúvida índices sobre acidentes
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quinta-feira, 22 de novembro de 2001
Erika Wandembruck<br>De Curitiba 
O alto índice de acidentes de trânsito em Curitiba - cerca de 25 mil por ano - que mata em média, uma pessoa por dia e deixa outras 40 feridas pode ser ainda maior. A afirmação é do engenheiro de Supervisão e Implantação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Clever de Almeida. A falta de uniformização de dados pelos órgãos responsáveis pelo trânsito e de critérios no levantamento das estatísticas, na opinião dele, são os responsáveis pela falta de credibilidade nos índices.
O assunto foi o foco das discussões ontem no 1º Encontro Municipal de Segurança no Trânsito, realizado na Câmara Municipal de Curitiba. O evento reuniu representantes do Legislativo, órgãos de trânsito e especialistas no setor. A polêmica foi em torno de dois projetos da prefeitura, de 1997, que ainda não foram colocados em prática, mas, que em tese, resolveriam o problema.
Um deles visa a criação de uma Rede Integrada de Segurança, da qual participariam Corpo de Bombeiros, Diretoria de Trânsito (Diretran), Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), Polícia Civil e hospitais que recebem vítimas de acidentes. ''O objetivo seria prevenir os acidentes e prestar socorro com maior eficiência'', explicou Machado. A dificuldade, segundo ele, é conseguir trabalhar de forma integrada.
A intenção, com outro projeto, seria centralizar os dados. ''Temos que criar uma Central Única de Atendimento. Pela central, as pessoas que precisassem de socorro ligariam sempre para o mesmo telefone, o que facilitaria no levantamento das estatísticas'', afirmou Almeida. No entanto, não há data para que os projetos sejam colocados em prática.
''Conhecendo a realidade é que poderemos propor soluções'', rebateu o vereador Marcelo Almeida (PMDB). Ele destacou que é preciso direcionar os R$ 29 milhões -previstos em arrecação com multas de trânsito em 2002- para ações que realmente diminuam o número de acidentes. Resultado da fiscalização eletrônica cada vez mais intensa, a arrecadação com as multas de trânsito em Curitiba pulou de R$ 1,5 milhão em 1997 (antes da criação da Diretran e do novo Código de Trânsito Brasileiro) para R$ 26 milhões este ano. ''Vou pedir o detalhamento dos gastos para saber onde está sendo investido o dinheiro. O que falta é fiscalização'', afirmou.
O presidente da Diretran, José Álvaro Twardowski, rebateu a informação dizendo que a planilha de multas é pública e que qualquer pessoa pode ter acesso. ''Nunca fomos procurados pela Câmara para tratar do assunto'', disse. Twardowski garantiu que a maior parte dos recursos arrecadados com a cobrança de multas é investida em infra-estrutura nas ruas, como sinalização e engenharia.


