Falta de troco traz prejuízos para passageiros de ônibus
James Alberti
De Curitiba
Apesar de desrespeitar a lei, empresas de transporte coletivo de Curitiba não têm conseguido entregar dinheiro para que os cobradores possam dar troco correto aos passageiros. Por conta disso, são comuns os impasses entre cobradores e usuários. Os cobradores alegam que as empresas deixam os caixas vazios por norma. Já a Urbs afirma que é o problema é causado pela falta de moedas de cinco centavos.
O diretor de Transporte da Urbs, Euclides Rovani, afirma que a empresa troca em bancos entre R$ 30 mil e R$ 40 mil por semana. Nem assim, diz ele, tem-se obtido solução. Conhecemos o problema e sabemos que a obrigação de dar o troco é das empresas, diz. Conforme Rovani, a Urbs tem cobrado das empresas condições para os cobradores poderem trabalhar.
Rudolf Friesen, responsável pelo setor de arrecadação da empresa Cristo Rei Ltda, afirma que a falta de troco aumentou depois que o preço das passagens subiu de R$ 0,75 para R$ 0,85 há três meses. Para ele, o setor não estava preparado para trabalhar com moedas de cinco centavos. Friesen reconhece que o problema tem causado discussões entre cobradores e passageiros. Quem leva a pior são os cobradores. O próprio cobrador tem que tirar do bolso quanto é obrigado a devolver troco a mais, afirma. Friesen nega, no entanto, que a empresa não dá troco aos funcionários. Só se forem as outras empresas, diz.
O cobrador Itamar dos Santos Margarida, 56 anos, afirma que recebe o caixa vazio. Como vou dar o R$ 0,15 para o povo?, pergunta. Ele alega que não pode trazer de casa o dinheiro. Com o que a gente ganha não dá, afirma. Margarida revela que tem emprestado moedas de comerciantes conhecidos cujos estabelecimentos estão próximos à estação-tubo, para não depender da empresa. Se depender deles (das empresas) é todo dia encrenca com os passageiros.
A auxiliar de enfermagem Lenir Fátima Oliveira, 38 anos, está entre os passageiros que já tiveram que discutir para não perder dinheiro. Se me faltar R$ 0,10 ele não me deixa entrar, mas eu tenho que deixar R$ 0,10 para a empresa?, questiona. Segundo ela, os impasses são quase diários, principalmente, nas primeiras horas da manhã. Dificilmente eles têm troco, revela.





