Falta de sinalização provoca multas
Maigue Gueths
De Curitiba
Motoristas continuam questionando a Diretoria de Trânsito da Curitiba (Diretran) pela aplicação de multas por excesso de velocidade registradas pelos radares eletrônicos. Eles reclamam dos locais onde estão os equipamentos, da falta de sinalização e do não recebimento, via Correio, dos dois avisos educativos prévios, prometidas pela prefeitura ao implantar os radares, em 20 de agosto de 99.
Na Rua Martim Afonso, quase esquina com Gastão Câmara, a três quadras da Mário Tourinho, está um dos radares mais criticados. O aparelho está instalado no final de uma forte descida, cerca de 250 metros depois da placa de advertência. Este é o terceiro local com maior número de multas, perdendo apenas para dois pontos da Rua Comendador Franco, nas esquinas com a Rua J. A. Ramalho com a Rua João Prosdócimo.
O problema na Martim Afonso pôde ser sentido, ontem, em entrevistas feitas pela reportagem da Folha. Em poucos minutos, quatro pessoas afirmaram já terem sido autuadas ou notificadas naquele ponto. Uma delas, que preferiu não se identificar, alega que a placa de advertência está muito longe do radar. Eu sempro entro na Martim Afonso pela Rua Jerônimo Durski, que fica uma quadra antes da Gastão Câmara. E nesta quadra não tem nenhuma placa avisando sobre o radar, diz, lembrando que não recebeu o primeiro aviso, apenas o segundo.
O professor Jorge Ventura Barroso Gonçalves é outra vítima do radar da Martim Afonso. Eu não contesto o fato de ter ultrapassado a velocidade, mas a falta de sinalização no local e o pouco caso da Diretran com as minhas reclamações, explica. A história de Gonçalves começou em dezembro, quando recebeu pelo Correio o segundo aviso educativo de que seu Fiat Panorama havia sido detectado em um dos radares. O problema é que ele também não havia recebido o primeiro aviso. Ele foi à Diretran, dia 30 de dezembro, e protocolou documento solicitando que sua primeira notificação fosse desconsiderada. Ao invés de resposta, dia 26 de janeiro ele recebeu pelo Correio uma autuação de infração, por passar a 69 km/h na Martim Afonso. Com uma infração grave, estava sujeito a multa de 120 Ufirs e perda de cinco pontos na carteira de habilitação.
Novamente na Diretran, dia 3 de fevereiro, protocolou recurso contra a multa, um documento contra a falta de padronização das placas de advertência e pediu um histórico de seu veículo, com intuito de saber onde teria sido o primeiro local de aviso. Foi aí que ele descobriu uma segunda multa, no mesmo local, a 71 km/h, flagrada no dia 22 de janeiro. Inconformado, voltei àquela esquina e vi que não tinha sinalização. Até tirei uma foto do alto da descida, onde está o radar, que mostra que não tem nenhum sinal naquela quadra, diz. Ele pretende recorrer novamente ou mesmo entrar com ação na Justiça.
Para ele, aquela esquina é uma verdadeira máquina de dinheiro. Ele acredita que poucas pessoas recorram da multa naquele local, uma vez que trata-se de um bairro de classe alta. Não adianta simplesmente baixarem uma lei e começar a multar. Antes é preciso mudar a mentalidade das pessoas, educar. Tem que ter mais gente da Diretran orientando nas ruas, diz.Motoristas de Curitiba reclamam de falta de placas avisando sobre rada res eletrônicos e velocidade máxima permitida
José SuassunaRECLAMAÇÃOO professor Jorge Ventura Barroso Gonçalves: Eu não contesto o fato de ter ultrapassado a velocidade





