Falta de servidores pára atendimento odontológico
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terça-feira, 09 de outubro de 2001
Gilmar Agassi<br> De Cascavel 
As três clínicas do curso de Odontologia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) pararam de funcionar. A interrupção do serviço prejudica mais de 70 pessoas de baixa renda que são atendidas diariamente no local. Desta vez, o problema não foi a falta de recursos, mas sim a greve dos servidores da universidade. Há cerca de dois meses, os trabalhos nas clínicas foram paralisados, pois os alunos não tinham material de consumo para atender os pacientes.
O aluno do 5º ano do curso, Alexandre Webber, explica que mesmo durante o período de greve, os casos de urgência e emergência e os tratamentos que estavam em andamento continuaram a ser atendidos. Ele ressalta que a situação se agravou depois que os professores e funcionários que continuaram trabalhando tiveram seus salários cortados em 40% pelo governo do Estado e decidiram entrar em greve.
Webber observa que esta nova paralisação poderá prejudicar os alunos do último ano que estão prestes a se formar. Ele acrescenta que alguns acadêmicos do curso que já estão com trabalho garantido após a formatura, poderão ser prejudicados. ''Vamos ter que fazer reposição de aulas o que poderá atrasar toda nossa programação'', lamenta.
O acadêmico lembra que outro problema está relacionado com a visita de uma comissão do Ministério da Educação, que virá a Cascavel para avaliar a estrutura do curso. ''Se a greve persistir e não voltarmos o atendimento, não haverá como a comissão avaliar nossa estrutura, porque tudo estará parado'', afirma Webber, observando que a população mais carente também está sendo atingida.
Ainda ontem membros do comando de greve estiveram reunidos com o reitor em exercício, Wilson Iscuissati, para exigir a liberação imediata dos R$ 319.900,00, repassados pelo Estado para manutenção dos serviços considerados essenciais no mês de setembro, que serão divididos entre todos os 1.657 funcionários e professores da universidade. A decisão de dividir os recursos partiu do Conselho Universitário há nove dias, mas até o momento o dinheiro continua bloqueado.
O argumento utilizado pelo reitor é de que a folha de pagamento complementar leva de sete a oito dias para ser impressa. Já o comando de greve acredita que está havendo uma articulação para que os recursos sejam repassados apenas para os que mantiveram os trabalhos essenciais.


