Josoé de CarvalhoVÍTIMAPaulo Micali, dono do mercado São Lourenço: ‘‘Fizeram uma limpeza. Levaram até as facas’’Os comerciantes do conjunto São Lourenço (zona sul) estão revoltados com a falta de segurança no bairro. O problema se agravou há uns dois meses, segundo eles. Na semana passada foram cinco estabelecimentos comerciais roubados ou que registraram tentativa de assalto. Nos últimos 30 dias, os comerciantes afirmam que praticamente todos as casas comerciais foram visitadas por assaltantes, muitas delas com grande prejuízo.
O último roubo foi na madrugada de ontem. O mercado São Lourenço, de Paulo Sérgio Micali, foi invadido pelos ladrões que fizeram uma limpeza nas prateleiras. O açougue ficou sem nenhum equipamento. ‘‘Eles levaram até as facas’’, diz Micali. As seções de eletrodomésticos, perfumaria e bebidas também foram saqueadas. ‘‘Eles esvaziaram um saco de ração no chão e devem ter enchido com mercadorias’’. O comerciante calcula um prejuízo de R$ 5 mil, sendo cerca de R$ 800,00 em dinheiro que estava na caixa.
‘‘Eles arregaçaram a porta de aço que tem cinco trancas’’, admira-se Micali. Segundo ele, os vizinhos ouviram barulho mas, como o estabelecimento está em reformas e o trabalho extrapola o expediente, não suspeitaram de assalto. Esse foi o segundo assalto ao mercado. O primeiro foi há cerca de dois anos, quando os ladrões, armados, entraram durante a tarde.
A comerciante Cleuza Aparecida Diniz Ferreira foi vítima duas vezes em uma só semana. Na madrugada de quinta-feira os ladrões entraram em uma das duas lojas do Supermercado São Jorge, levando principalmente cigarros e bebidas e estourando a caixa registradora. Na madrugada seguinte, eles voltaram e tentavam entrar pela janela quando foram surpreendidos pelo marido de Cleuza. ‘‘Eram três menores e um deles usava um chinelo que tinha sido roubado na outra loja. Mas eles negam que tenham roubado lá também’’, disse Cleuza. Os meninos foram entregues à Polícia.
‘‘Não adianta só prender. A Polícia tem que investigar porque a gente acha que tem alguém por trás desses meninos’’. Cleuza ainda não calculou os prejuízos. Além dos produtos levados, a comerciante terá que consertar o telhado de uma loja e repor os vidros da janela da outra.
O bairro não tem módulo policial. Micali afirma que a segurança se resume em uma viatura policial que circula pelas ruas durante o dia. ‘‘Estamos de mãos atadas. O que vamos fazer nessa crise de segurança que está passando a Cidade, com o governador que não se responsabiliza por nada?’’, reclama. ‘‘Estamos apavorados porque ninguém mais pode trabalhar em paz’’, desabafa Cleuza. Na opinião dela, a solução é intensificar o policiamento no bairro. A Folha tentou falar com o comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Ari Marino Burile, que não retornou a ligação.

mockup