Falta de segurança preocupa frequentadores do Lago Igapó 2
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sexta-feira, 04 de março de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Era terça-feira, 9h30 da manhã. Após uma hora de caminhada agradável às margens do Lago Igapó 2, já era hora de partir para as outras tarefas diárias. "A porta do motorista estava destravada. Fiquei assustada. Achei que tivesse esquecido de travar o carro. Olhei embaixo do banco e minha bolsa não estava lá. Como eu não costumo levar a bolsa quando vou caminhar, por um minuto pensei que tivesse esquecido em casa. Quando fui sair com o carro, vi que tinha uma luz acesa no painel porque a porta do passageiro parecia estar aberta. Foi aí que percebi que a porta estava amassada na parte de cima e entrei em pânico", relatou uma das vítimas de furto.
No mesmo horário, um dos ladrões conseguiu sacar dinheiro em um caixa eletrônico da Avenida Madre Leônia. A bolsa e os documentos pessoais foram encontrados horas depois. "Eu gosto muito de ir para lá para correr e pedalar. Hoje eu penso: se eu for, eu vou deixar o meu carro onde? Não vou conseguir ficar em paz. É uma sensação de invasão. A gente trabalha muito para conseguir pagar tudo o que tem", acrescentou.
Ocorrências como esta são cada vez mais comuns nas margens do Lago Igapó 2. A relações-públicas Lucilene Reis mora próximo ao lago e já ouviu vários desses relatos. "Isso ocorre praticamente todos os dias. Já aconteceu com amigas minhas que pararam por aqui para caminhar comigo e tiveram o carro arrombado. Pela manhã parece que os arrombamentos são mais frequentes", alertou. A moradora comentou ainda que vê pouco policiamento no local ao longo do dia.
Para o aposentado Paulo Bodnar, o Lago Igapó tem "segurança zero". "Já vi dez ou 12 vezes carros estourados por aqui. Parece que eles ficam de olho nos carros das mulheres por causa das bolsas. Tem o posto da Guarda Municipal por aqui, mas a gente não vê nenhum guarda", criticou. A sede administrativa da GM fica na Rua Joaquim de Matos Barreto, nas margens do lago.
"Eu sempre procuro colocar o carro em um lugar não muito deserto e também não trago bolsa", disse a professora aposentada Marilene Gea. Já a professora de inglês Silvia Flores contou que se sente constrangida pelos "exibicionistas" que, algumas vezes, aparecem nus em frente aos frequentadores. "Apesar de terem muitos carros por aqui, eles se aventuram em meio as árvores. Quem passa por essa pista interna, às vezes, se depara com isso. Como a gente fica constrangida, tem a tendência de não falar até por conta do medo", explicou.
O supervisor da Guarda Municipal, Nerildo Medeiros, informou apenas que a intenção da corporação é aumentar o patrulhamento na cidade. No entanto, "devido à grande quantidade de próprios públicos e do número de guardas insuficiente, isso não é possível". "A gente aconselha que o cidadão faça o contato pelo 153 para fazer as denúncias e que também evite deixar itens visíveis no interior do veículo", completou.
A Polícia Militar informou que não possui estatísticas de crimes relacionados apenas ao Lago Igapó 2. Segundo a tenente Maitê Baldan, porta-voz do 5º Batalhão da PM, o local é tratado como prioridade pelas equipes de patrulhamento. "Em virtude do grande fluxo, a gente tenta priorizar o patrulhamento nas mais variadas modalidades. Nós também pedimos que as pessoas avisem a Polícia Militar. Às vezes, por achar que o delito foi pequeno, a vítima não denuncia. Sem as denúncias, fica difícil verificar os horários em que há o registro de mais ocorrências", afirmou. A tenente orientou aos frequentadores que praticam exercícios no entorno do lago que não carreguem celulares nas mãos e não ostentem nada de valor para reduzir os riscos.


