As caminhadas diárias nas áreas de lazer de Londrina exigem mais do que preparo físico. Preocupados com a segurança, usuários dos parques realizam exercícios em constante estado de alerta. Frequentar as pistas nos horários mais movimentados, carregar pouco dinheiro e sempre andar em grupo são algumas das precauções para evitar assaltos. Apesar do cuidado, muita gente já presenciou roubos e tem histórias para contar.
Há dez anos vendendo água de coco no Zerão, Augustinho Pedro da Silva já presenciou roubos de tênis e relógios no local. ''A maioria dos ladrões é moleque'', diz ele, que se recorda também do dia em que um grupo de assaltantes realizou um ''arrastão'' em frente à academia de ginástica que margeia a pista.
A dentista Vera Lucia Rodrigues caminha todos os dias de manhã na pista do Zerão. Acompanhada pela irmã e pelo pai, costumava estender o percurso até a barragem do Lago Igapó. Desistiu do passeio após presenciar, por duas vezes, pessoas sendo assaltadas no local. ''Gostamos da paisagem, mas, por medida de segurança, ficamos apenas no Zerão'', disse.
A enfermeira Sônia Spagnuolo e seu marido, o gerente de compras Jaime Spagnuolo, costumam caminhar no Zerão nos finais de tarde. ''Vamos em estado de alerta, com um olho para os lados e outro nos buracos do chão''. Eles nunca presenciaram assaltos, mas comentam que nas manhãs de domingo é comum encontrar pessoas embriagadas dormindo nos bancos. ''Eles não chegam a incomodar, mas hoje em dia não dá para confiar em ninguém'', dizem, reclamando também da falta de policiamento.
A ausência de policiais também é a principal reclamação da assistente social Rony Moura Persinato que, com o marido, o empresário Roberto Persinato, costuma levar os dois filhos para brincar no Zerão. ''O Lago Igapó 2 tem mais policiais, mas aqui (no Zerão) é melhor para as crianças. Hoje em dia é perigoso em qualquer lugar, se tivermos medo ficamos sem local para o lazer'', avaliam eles.
Mais deserto, o Lago Igapó 2 atrai esportistas apenas nos horários de maior claridade. ''De noite achamos mais seguro caminhar na praça do Aeroporto'', comentaram a professora Marilene Santos Mira e o instrutor Adélio Alves Mira. Evitar as caminhadas noturnas no Igapó 2 também é a precaução tomada pelos médicos Vinícius Lima Ribeiro e Patrícia Juliano. Como os dois mudaram recentemente para São Paulo, confessam que passaram a achar a região mais segura depois da experiência em uma grande cidade. ''Para nós, aqui (no lago) é um paraíso''.

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