Falta de regulação pode prejudicar projetos
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de janeiro de 2011
Silvana Leão<BR>Reportagem Local 
No artigo denominado O invisível espaço subterrâneo urbano, apresentado em congresso sobre túneis, a doutora em Engenharia Civil e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT), Gisleine Coelho de Campos lembra que os subterrâneos das cidades foram inicialmente ocupados por canalizações, redes de água e esgotos e pequenos túneis que possibilitassem a fuga ou acesso rápido. Atualmente, porém, o espaço antes inexplorado e invisível à maior parte da população é ocupado por obras viárias, estacionamentos, trens e parte de edifícios.
E, atualmente ignorada por grande parte das administrações, a pesquisadora alerta justamente para a importância estratégica do mapeamento e registro unificado. Se quisermos entrar no rol de países desenvolvidos, precisamos saber o que já foi construído para que as obras do futuro possam acontecer. Essa é uma tendência irreversível e imprescindível para a qualidade de vida da popula-ção, afirma.
Em seu trabalho, Gisleine cita pelo menos dois importantes impactos no meio físico, decorrentes da ocupação subterrânea de áreas urbanas de forma desordenada: a possibilidade de se provocar alterações danosas no sistema de aquíferos naturais, com rebaixamento do seu nível ou até mesmo contaminações, e a dificuldade em se encontrar áreas adequadas para a deposição do material escavado.
Ela lembra que a ocupação crescente do subterrâneo, seus impactos no meio ambiente e implicação na qualidade de vida da população são desafios que devem ser enfrentados. Sem planejamento e controle específicos e sem a participação e mediação do poder público, os interesses privados estão prevalecendo, em detrimento de um crescimento organizado e pautado no conceito de sustentabilidade.
Segundo a engenheira, há que se conhecer previamente as características dos maciços de solo e rocha a serem escavados, assim como as eventuais interferências existentes no local (redes anteriormente implantadas, fundações de edifícios, galerias já desativadas e até mesmo sítios arqueológicos) para que sejam minimizados os impactos resultantes da construção de obras enterradas. Tecnologia e conhecimento técnico para isso o Brasil possui, garante.


