A falta de apoio financeiro pode acabar com o trabalho da única Organização Não Governamental (ONG) do Norte do Paraná - e talvez de todo o Estado - que tem como objetivo principal a luta pela melhoria da qualidade de vida das pessoas portadoras de HIV/Aids. O grupo Reagir, de Londrina, tem passado por dificuldades até para pagar as contas de água, luz e telefone. Nem mesmo a permanência na atual sede da entidade, localizada na Rua Sergipe (área central), está garantida: o contrato com o sócio-mantenedor do grupo, que paga o aluguel, acaba dia 15 de dezembro e não se sabe ainda se ele será renovado.
Hoje, Dia Mundial contra a Aids, os integrantes afirmam que não há o que comemorar. Eles se dizem angustiados porque os problemas acabam atingindo diretamente as pessoas que procuram auxílio do grupo. Hoje, são atendidas com cestas básicas e leite aproximadamente 70 famílias muito carentes - em parceria do Reagir com a Associação Interdisciplinar de Aids (Alia) e Grupo de Homossexuais de Londrina (GHL). Muitas das famílias têm uma ou mais crianças infectadas. ‘‘Trabalhamos com pessoas pobres, com todo tipo de dificuldades. E se essas pessoas não tiverem uma alimentação adequada, vão morrer mesmo com os medicamentos’’, diz Silvana Gomes dos Santos, diretora do Reagir. ‘‘Tem remédio que só atinge o sangue com gordura. Então não adianta tomar o remédio com café que não vai fazer efeito.’
Há dificuldades inclusive para arrumar os remédios: os medicamentos antiretroviral, para controle do vírus, são distribuídos gratuitamente; mas os medicamentos de profilaxia, para tratar doenças oportunistas, estão em falta e custam caro. Uma caixa Leucovurin, por exemplo, que melhora o sistema imunológico, custa entre R$ 60,00 e R$ 70,00 e dá somente para 10 dias.
Além de dar auxílio com alimentação e medicamentos, o Reagir mantém um trabalho de conscientização junto com os portadores de HIV/Aids, orientando e prestando aconselhamento. A idéia é mostrar que o portador pode ter dignidade, amizade e respeito, apesar do preconceito da sociedade. O grupo também promove palestras na periferia falando sobre as formas de contágio e a prevenção e ainda criou o Café Positivo, um espaço para que os integrantes pudessem aprender a fazer produtos artesanais, como bonecas e guirlandas. Esses produtos são vendidos e a renda ajuda na manutenção do grupo.
Silvana Santos acredita que com apenas R$ 700,00 por mês seria possível manter uma estrutura mínima para o grupo continuar funcionando, com pagamento de aluguel, água e luz. Mas nem mesmo isso o grupo tem conseguido e por isso está na iminência de ser fechado. ‘‘Falta apoio público’’, atesta. ‘‘Porque nós dependemos de tudo porque não temos dinheiro, e não temos onde arrumar dinheiro. Então não tem por onde a gente continuar.’
Ontem no início da tarde, Silvana teve reunião com o prefeito Antonio Belinati (sem partido) para pedir ajuda ao Reagir. Segundo ela, o prefeito não prometeu nada, mas se mostrou sensibilizado com a situação do grupo. Por isso, encaminhou o caso para a secretaria municipal de Saúde. Quem quiser colaborar pode entrar em contato com o Reagir pelo telefone (043) 324-9950.

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