Falta de recursos limita ação da Apae
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de agosto de 1998
Alexandre Sanches 
As dificuldades financeiras enfrentadas com a falta de recursos federais e de contribuições da comunidade local está levando a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), a iniciar uma campanha de doações voluntárias com premiação. Neste trabalho, pais de alunos e funcionários da entidade vão divulgar mais a Apae, tentando conscientizar a população da necessidade de manter os programas desenvolvidos por ela.
Falta conscientização sobre o que é a Apae, sua finalidade e quais são as atividades desenvolvidas. As pessoas precisam nos visitar e conhecer os projetos, comentou a vice-presidente Neiva Buzzi Moser. Para ela, este é o principal motivo que leva a entidade a não conseguir adesão quando realiza campanhas beneficentes.
Ela salientou que o problema financeiro não é exclusivo de Rolândia, mas de todas as entidades no Brasil. Os atrasos nos repasses do governo federal - dos últimos quatro meses - têm refletido diretamente na folha de pagamento dos funcionários e técnicos que atendem aos programas. Nós estamos no vermelho há meses para pagar os funcionários.
Arquivo FolhaUnidade desperta interesse de outros municípios da regiãoA situação só não é mais crítica porque a Apae de Rolândia recebe mensalmente uma pequena ajuda de uma organização não-governamental da Alemanha que atende também as creches do município. No entanto, afirmou que este recurso é pouco, pois a entidade mantém cinco programas diferentes e que são referência, como o atendimento aos autistas. Para isso, também, conta ainda com a venda de produtos e artesanatos confeccionados pelos alunos.
Neiva Moser citou que em Porecatu a situação está sendo amenizada com a ajuda da Usina Central do Paraná que adotou a entidade recentemente. Mesmo nas Apaes maiores, como a de Londrina e de Ibiporã, a situação é muito crítica. A única saída é a municipalização das Apaes, angariando recursos junto a empresários locais. Os governos federal e estadual não repassam nada e nem se manifestam a respeito há dois anos, ressaltou.
Nem as intervenções do presidente da Federação das Apaes, Flávio Arns, foram suficientes para sensibilizar os governos para que repassem as verbas em dia. Os últimos dois anos foram os mais difíceis para nós. Aqui em Rolândia temos cinco projetos em andamento, porém não conseguimos nenhuma resposta governamental, comentou.


