Falta de recursos e servidores prejudica atendimento nos HUs
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina Os quatro hospitais universitários (HUs) do Paraná enfrentam problemas semelhantes, como falta de recursos para investimento, deficit orçamentário, quadro reduzido de servidores e dificuldades no atendimento. Como atendem exclusivamente aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), a população fica prejudicada.
O HU de Londrina, com 316 leitos, o HU de Maringá, com 123, o HU do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, com 196, e o HU Regional dos Campos Gerais, em Ponta Grossa, com 190 leitos, atenderam neste ano, entre consultas e nos prontos-socorros (PS), mais de 215 mil pessoas.
Somente no HU, ligado à Universidade Estadual de Londrina (UEL), nos oito primeiros meses de 2014 foram realizados 91.232 consultas ambulatoriais e 22.737 atendimentos no PS. Em 2012, foram feitos mais de 1 milhão de exames laboratoriais, além de mais de 100 mil atendimentos lactários.
Os HUs são importantes também para os municípios das regiões onde estão inseridos. No ano passado, dos 187 mil pacientes atendidos no setor ambulatorial, no PS e que sofreram intervenções cirúrgicas no HU de Londrina, 43 mil são de outras cidades. No HU de Ponta Grossa, cerca de 50% dos pacientes são de outros municípios dos Campos Gerais.
A superlotação dos prontos-socorros, a falta de vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)e de leitos é uma realidade quase diária dessas unidades. Os poucos recursos, em virtude da crescente demanda, também prejudicam o atendimento nos hospitais.
"O HU tem um deficit mensal de R$ 350 mil (somente no Centro de Tratamento de Queimados o deficit chega a R$ 120 mil) e, por isso, sem uma solução urgente, o hospital corre o risco de, até o final do ano, ser obrigado a reduzir drasticamente sua oferta de serviços", frisou o promotor da Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares.
Em Ponta Grossa a situação não é diferente. "Nós temos um deficit mensal, mas está controlado. Deixamos de ampliar a capacidade de atendimento, mas não de atender ninguém", garantiu Everson Krun, diretor-geral do HU dos Campos Gerais.
A Promotoria de Justiça da Saúde Pública ajuizou no dia 1º uma ação civil pública contra o Estado de Paraná e a UEL por irregularidade em vários setores do HU, além da defasagem de 63 enfermeiros e 61 técnicos de enfermagem.
Um caso emblemático no HU foi a inauguração da UTI 3, com dez leitos, em abril de 2012. A unidade está equipada, 70 funcionários estão em processo de contratação, mas a UTI ainda não entrou em funcionamento. O hospital possui outras duas UTIs adulto, com 17 leitos, uma neonatal, com sete, uma pediátrica, com cinco, e a de queimados, com seis. O hospital tem dois mil servidores.
De acordo com a superintendente do HU, Margarida Carvalho, o hospital tem buscado algumas alternativas, como a terceirização na contratação de servidores, para evitar uma possível diminuição no atendimento. "Este não é o nosso objetivo. Vamos tentar todas as negociações possíveis para isso não acontecer e o governo tem sido sensível com os nossos pedidos", garantiu.
O número de servidores também é insuficiente para atender a demanda de pacientes e a quantidade de procedimentos. A contratação de funcionários não acompanha a velocidade necessária para a recomposição dos cargos. "Há um lento processo de reposição dos cargos que ficaram vagos em função de aposentadorias, sendo que atualmente há 236 vagas em aberto, havendo uma estimativa de que até o final do ano esse número chegue a 400 no HU de Londrina", apontou Tavares.
No HUOP a falta de funcionários tem ocasionado até a redução do atendimento. "Essa situação de fato é crônica e tem sido resolvida com horas extras, terceirizações e, eventualmente, com a redução de atendimento que seria possível com base nas instalações físicas e equipamentos, mas que não é possível por conta dos funcionários", relatou o diretor administrativo, Edison Leismann.

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