Londrina - A julgar por dois episódios recentes envolvendo instituições conhecidas nacionalmente, o setor museológico brasileiro pede socorro. No final de abril, conselheiros e associados do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) aprovaram a reforma do estatuto da instituição. É a primeira fase do projeto de modernização do museu, que tem dívidas que oficialmente somam R$ 10 milhões – embora estimativas extraoficiais apontem que o rombo chegue a R$ 54 milhões. Outra etapa é a busca de parceiros.
Também em São Paulo, o Museu do Ipiranga busca parcerias públicas e privadas para o restauro do prédio, fechado em agosto do ano passado em razão de problemas estruturais.
Se museus icônicos sofrem para manter suas portas abertas, imagine o desafio de mantenedores de instituições menos badaladas. Em 2011, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, mostrou que entre 2000 e 2010 foram extintos 52 museus em todo o Brasil.
No dia 22 de abril, foi realizada uma audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, com a presença da ministra da Cultura, Marta Suplicy, sobre os investimentos federais na área de cultura. Um dos itens discutidos foi a situação dos museus brasileiros.
Na audiência, o presidente do Ibram, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, fez um relatório de investimentos e ações que depois reiteraria em entrevista à FOLHA (leia nesta página).

ASSOCIAÇÕES
Camila Leoni Nascimento, diretora executiva da Federação de Amigos de Museus do Brasil (Feambra), concorda com o Ibram de que o momento dessas instituições é de evolução no País, mas ainda há muito a ser feito.
"Está ocorrendo um aumento de investimentos em museus, mas é um processo lento. Não é algo que vai ter resultado de uma hora para a outra. Muitos museus têm programas educativos, mas outros não têm recursos para funções básicas", diz Camila. A diretora cita que os problemas variam de museu para museu, conforme o porte, localização e outros fatores, mas que alguns problemas recorrentes são falta de verba, dificuldades de divulgação e desconhecimento e/ou falta de acesso a canais de incentivo.
"Já encontrei gente que me disse: ‘Hoje tive que sair e precisei trancar o museu’. Ou seja, não havia outra pessoa para manter o lugar em funcionamento. Quando se fala em museus no Brasil, muita gente pensa nas grandes instituições, mas há vários museus pequenos que enfrentam muitos desafios para se manterem", explica.
Segundo a pesquisa do Ibram de 2011, 65% (891) dos 1.374 museus que responderam a um questionário do instituto informaram que tinham no máximo 10 funcionários. A maioria (77,7%) não possuía orçamento próprio.
Camila aponta que um caminho para driblar os problemas é a criação de associações de amigos de museus – a Feambra está lançando uma cartilha com instruções para formação desses grupos, responsáveis pela articulação com diferentes setores da sociedade, interlocução com governos e arrecadação direta e indireta de fundos.

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