Emerson Gonçalves
Especial para a Folha
De Curitiba
Em atividade há 18 anos e especializada na educação de crianças autistas, a Escola de Educação Especial Alternativa, localizada no bairro Alto da Glória, em Curitiba, pode fechar as portas por falta de recursos. Atualmente a entidade filantrópica atende mais de 70 alunos com distúrbios de comportamento e motor e tem pelo menos mais 39 em fila de espera.
O drama da escola começou quando a verba que recebia do governo estadual para pagamento do aluguel do imóvel onde funciona acabou sendo cortada a partir de outubro do ano passado. Segunda a diretora da escola, Rosina Lopes Lima, a alegação dada pelas autoridades teria sido contenção de despesas. O valor total do aluguel é de R$ 1,9 mil. Ela diz ainda que os proprietários do imóvel também já pediram que local fosse desocupado, por que a área estaria incluída em um inventário.
A partir de então, a instituição lançou mão de uma série de ações, como bingos, rifas e jantares, para tentar ficar no local e manter a infraestrutura que conta com 23 profissionais nas áreas de pedagogia, psicologia, musicoterapia e fisioterapia. O atual repasse de verbas do governo (R$ 14 mil), segundo a diretora, só cobre a despesa com os professores (pedagogos), zelador e auxiliar de limpeza. Os demais profissionais são pagos com disponibilidade de recursos arrecadados com as promoções. Ao todo, as despesas da escola somam R$ 24 mil.
‘‘Se não conseguirmos outro local até agosto teremos que fechar nossas portas’’, lamenta Rosina. Ela acrescenta que se isto ocorrer as crianças terão que ser remanejadas para outras instituições onde não há um atendimento mais especializado na área de autismo.
Alheias a essas dificuldades, as crianças, atendidas a partir dos três anos de idade, parecem se divertir, principalmente nas aulas de musicoterapia. Além disto, a escola oferece atividades ocupacionais como uma horta comunitária, aulas de culinária, além de educação fundamental. Graças a doações e ajuda dos pais a entidade conta também com aulas de informática. Esta tecnologia, asseguram os professores, tem ajudado muito no tratamento dos assistidos.
No final da atrde de ontem a Prefeitura de Curitiba entrou em contato com a direção da escola para agendar uma reunião que definirá um terreno para abrigar a instituição.

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