Falta de qualificação é problema ao contratar
Quem procura emprego hoje sabe que não está fácil conseguir uma vaga. Levantar cedo e esperar na fila sem sucesso tem sido uma rotina na vida do vigilante desempregado Jorge Eugênio da Silva, 32 anos. Silva está há um ano e meio sem emprego fixo e ultimamente tem se dedicado a montar divisórias, recebendo R$ 2,50 por metro quadrado para sustentar a família. Ele conta que, além do primeiro grau, sua formação inclui apenas um curso de segurança patrimonial, feito há dez anos. Durante esse tempo Silva nunca passou por uma reciclagem, e nem ao menos acessou um terminal de computador. Ele conta que logo que ficou desempregado só procurava vaga para a sua profissão, de vigilante, mas como o tempo foi passando e o emprego não apareceu, ele passou a conferir qualquer alternativa.
Na última segunda-feira, Silva aproveitou para sair novamente em busca da tão sonhada carteira assinada e às 8 horas em ponto já estava na sede da administradora de condomínios Central Park, no Centro de Curitiba, para disputar uma vaga de porteiro residencial. Não é o que eu queria, mas pelo menos é um emprego com carteira assinada e salário garantido no fim do mês, disse.
Entretanto, Silva estava ciente das dificuldades que encontraria: Veja só que para apenas uma vaga aparecem 60 pessoas, muitos deles especializados na função e que deixaram o emprego há pouco tempo, constata.
A assessoria do Sistema Público de Emprego (Sempre) informou que das 11 mil pessoas cadastradas no mês de maio, apenas 4,22% (465) conseguiram ser contratadas. Segundo o Sempre, entre os fatores que dificultam as contratações está a falta de qualificação da mão-de-obra. Assim como Silva, poucos trabalhadores têm conseguido fazer cursos de capacitação para se adaptar a esses tempos em que industrialização e informática caminham juntas.
Porém, como a oferta de mão© de-obra é farta, as empresas estão se aproveitando da concorrência para passar uma peneira ainda mais fina na hora de contratar. Esses fatores acabam fazendo com que os critérios de seleção sejam cada vez mais rigorosos, em que até mesmo a distância da moradia do trabalhador do local de trabalho é levada em conta na decisão de quem fica com a vaga. Normalmente leva vantagem quem mora mais perto da empresa. (G.V)





