Falta de público revolta os expositores de Festa da Uva
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quinta-feira, 12 de dezembro de 1996
Lúcio Horta 
Um clima de revolta tomou conta dos expositores que até ontem trabalhavam na Festa da Uva Fina, na avenida Leste-Oeste, ao lado do Terminal Urbano. Segundo eles, a organização do evento não cumpriu o que foi contratado e por isso a feira acabou em fracasso. Ontem eles arrumavam as malas e afirmavam que não ficariam mais na Cidade.
Não tem público porque não houve divulgação. Teve gente que veio do Rio Grande do Sul para cá e não vendeu nada, reclamava a expositora Jocelene de Fátima Silva, de Maringá. Ela conta que pagou adiantado R$ 420 pelo estande e a promessa é que a feira seria visitada por aproximadamente 120 mil pessoas.
Não era nada disso que a gente esperava. Feira pior que esta não existe, reclamava Aparecida Vieira, de Itambé (Noroeste do Estado). Por esse motivo, ela diz, cancelou no banco o cheque dado para a organização.
Além da falta de público, os expositores reclamavam das condições que encontraram na feira. Orlando Carlos Goulart Outeiral, de Porto Alegre, disse que a promessa é que haveria na feira lanchonetes, sanitários com banheiros, atendimento médico. O banheiro que instalaram aqui não tem a mínima condição de higiene, é uma vergonha.
As barracas também tinham vazamentos e a chuva dos últimos dias acabou atingindo materiais que seriam vendidos pelos expositores, além do barro que se formou. Outeiral diz que vai denunciar os organizadores no Procon.
Um dos organizadores da festa, Marcos de Melo, apareceu na feira ontem à tarde, quando a reportagem da Folha estava no local. Ele não aceitou as críticas e disse que cumpriu tudo o que foi contratado. Choveu muito nesses dias e por isso o público foi fraco.
Melo acrescenta que fez toda a divulgação possível do evento, com anúncios em jornal, rádios, panfletos, adesivos, outdoor e caminhão de som. Só na TV que não deu para colocar antes por causa da chuva. Hoje, afirma, uma emissora já deve começar a anunciar a festa.
O organizador também reclamava que a maioria dos expositores que vieram para a Cidade cancelaram os cheques no banco. Só recebi 30% do que deveria. Quem está reclamando é quem não pagou.
Um princípio de tumulto se formou quando Melo mostrava dois cheques de expositores que tinham sido recusados por bancos. Mostra o meu também, dizia a expositora gaúcha Osmara Outeiral. Segundo ela, o organizador descontou os dois cheques antes mesmo da feira ter começado. Para mim tu não é homem. Pessoa que trabalha não faz isso. Melo garantiu que, com ou sem expositores, a feira termina só no domingo.


