Falta de psiquiatras ameaça a segurança
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de abril de 1998
Paulo Ubiratan 
Os cinco juízes criminais de Londrina dizem que logo serão obrigados a colocar em liberdade criminosos de alta periculosidade - inclusive traficantes. Tudo porque não há quem faça exames de sanidade mental e dependência toxicológica em réus presos.
Até dois meses atrás, os laudos estavam sendo feitos de favor por médicos e psicólogos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).
Em carta enviada aos juízes, os profissionais alegaram acúmulo de trabalho na Penitenciária de Londrina e disseram que não poderiam mais fazer os exames para o Poder Judiciário.
É impossível realizar os exames dos reús em Curitiba. Faltam viaturas e escolta para transportá-los com segurança. Mesmo que houvesse condição para levar os presos, o problema não seria resolvido. O setor de psiquiatria forense na Capital está com acúmulo de trabalho. Os profissionais de Curitiba só podem marcar exames para daqui a quatro meses, em função da quantidade de casos.
Diante da situação, os juízes criminais de Londrina expediram um ofício ao presidente do Tribunal de Justiça (TJ) em Curitiba, desembargador Henrique Chesneau Lenz César, solicitando providências imediatas.
O documento dos juízes destaca a necessidade urgente de dois profissionais independentes da área de Psiquiatria e Psicologia para realizar os exames nos réus.
Os juízes propõem ainda que seja instalado um setor de Psiquiatria no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, exclusivamente para fazer esse tipo de atendimento. A instalação do setor ficaria sob responsabilidade da Secretaria Estadual de Segurança Pública.
O problema da falta de psiquiatras para elaborar os laudos vem se arrastando desde 1992, afirma o juiz Arquelau Araújo Ribas. Documentos da época mostram que os juízes da varas criminais de Londrina vinham alertando para o problema.
No início da semana, Lenz César recebeu o título de cidadão honorário de Londrina. O ofício ao presidente do TJ foi assinado pelos juízes criminais Jurandir Reis Júnior (1ª Vara), Lídia Matiko Maejima (2ª Vara), José Marcos de Moura (3ª Vara), Arquelau Araújo Ribas (4ª Vara) e José Roberto Pinto Júnior (5ª Vara).


