Falta de profissionais pode aumentar índice de cesariana
Falta de profissionais pode
aumentar índice de cesariana
Marcos NegriniAparecida da Silva Freires, 25 anos, teve o terceiro filho de parto normal: A gente sente dor até a hora de ganhar o bebê, enquanto na cesária a gente fica toda dura depois do nascimento da criança
De Maringá
O índice de cesariana nos hospitais de Maringá e região ainda é muito alto e está longe de se aproximar do índice máximo preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de 20%. Em 1999, conforme dados da 15ª Regional de Saúde, 65% dos bebês nasceram de cesarianas. Em 1998, o índice foi ainda maior: 70%.
De acordo com a chefe do Setor de Epidemiologia da 15ª Regional de Saúde, Noriko Misuta, o índice de cesariana é uma questão delicada. A grande maioria dos médicos tem dois empregos e para conciliar as atividades, prefere agendar as cesarianas porque é um procedimento mais rápido. Para monitorar um parto normal às vezes é preciso até 10 horas e os médicos não têm esta disponibilidade de tempo, justifica. Uma alternativa, conforme Noriko, seria a presença de enfermeiras obstetras nos hospitais.
O profissional de enfermagem com especialização em obstetrícia, explica Noriko, está apto a monitorar o paciente de parto normal e a realizar o parto desde que não haja nenhuma complicação.
Em Maringá existem três enfermeiras obstetras, mas elas não atuam no atendimento às mulheres. Uma delas é professora do curso de enfermagem da UEM, e as outras duas profissionais especializadas estão atuando na UTI neonatal e no laboratório do Hospital Universitário de Maringá (HUM).
O curso de enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM) também não oferece especialização em obstetrícia. Somente em outubro a UEM deverá oferecer o primeiro curso de especialização e, mesmo assim, será apenas para os profissionais de enfermagem que já trabalham com a saúde da mulher e que estejam atuando em hospitais conveniados com o SUS.
De acordo com a professora da disciplina de saúde da mulher e da criança, do Departamento de Enfermagem da UEM, Regina Lúcia Dalla Torre, existe uma carência de enfermeiras obstetras em toda a região, por causa dos poucos cursos oferecidos no Estado e no País. Regina Lúcia destaca que o alto índice de cesárias também é uma questão cultural. Muitas mulheres preferem a cesária porque têm medo de sentir as dores do parto normal, diz.





