As aulas na Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam) começaram na semana passada, mas boa parte dos alunos ainda não pode estudar porque faltam professores. O problema se arrasta sem solução desde o ano passado e atinge, principalmente, os alunos dos dois novos cursos da instituição - engenharia agroindustrial e matemática -, mas os cursos de administração e geografia também estão prejudicados.
‘‘Uma das turmas de engenharia está sem professor em três matérias’’, conta a diretora da Fecilcam, Sinclair Pozza Casemiro. Segundo ela, a maior parte do problema poderia ser resolvida com a simples nomeação pelo governo do Estado de seis professores que já estão aprovados em concurso público desde o ano passado. ‘‘É só sair as nomeações que eles começam a trabalhar imediatamente’’, argumenta.
A solução, no entanto, não parece tão fácil. No início da semana, durante reunião com o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, Sinclair foi informada de que as nomeações dependem de autorização do Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado (Crafe), o que só deve acontecer no final do mês. ‘‘Para quem já está esperando há um ano, a notícia até que não é tão ruim’’, diz a diretora.
Entre os alunos, no entanto, o clima é de revolta. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) está enviando, desde a semana passada, ofícios pedindo ajuda a lideranças regionais e estaduais. ‘‘Quando lançou os novos cursos, o governador prometeu mantê-los’’, protesta o presidente do DCE, Carlos Rogério Ferreira. Com a não-solução do problema, os alunos já ameaçam iniciar uma greve geral e até mesmo a fechar uma rodovia da região.
Além dos seis professores já aprovados em concurso, a direção da Fecilcam também espera a autorização para fazer teste seletivo e contratar 11 professores para a faculdade e outros oito para o Colégio Agrícola, que também é mantido pela instituição. A Fecilcam cobra do governo do Estado um tratamento equilibrado, uma vez que as universidades de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e de Ponta Grossa (UEPG) já teriam feito as contratações.
‘‘Aluno de curso superior deve ser igual em todo o Estado’’, diz o vice-diretor da Fecilcam, Rubens Sartori. Diante da situação, nem a proposta de autonomia, anunciada pelo governo para o ano que vem, anima a direção da faculdade. ‘‘Não vamos concordar com uma autonomia que não seja benéfica para a Fecilcam’’, frisa Sartori. Ele teme que as instituições ganhem autonomia, mas percam recursos.
‘‘Temos um custo mínimo e uma produção máxima’’, ressalta Sartoria. A Fecilcam, que é a maior faculdade isolada do Estado em número de alunos, com pouco mais de dois mil estudantes matriculados em cursos de graduação, conta com apenas 129 funcionários, numa proporção de 15 alunos para cada servidor. No ano passado, a instituição sobreviveu com R$ 1,69 milhão, num custo médio de R$ 1.088,62 para cada aluno.

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