Uraí - A prestação de contas relativas aos investimentos na Saúde pode render dor de cabeça a Iracelis da Fonseca Borghi (PSDB), prefeita de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio). O motivo é a atitude de Wilson Ramalho Matta, presidente do Conselho Municipal de Saúde, que se disse cansado de pedir as contas da pasta à administradora. Ele encaminhou denúncia ao Ministério Público (MP) para que a prefeita justifique 54 pagamentos feitos até outubro do ano passado. Passados 11 meses, ele calcula uma conta maior: R$ 190 mil já poderiam ter sido utilizados pela prefeitura irregularmente, em pagamentos sem justificativa, ou qualquer preocupação com procedimentos de licitação e concursos.
A denúncia foi repassada do Fórum de Uraí para a Central de Apoio ao Patrimônio Público, em Curitiba. Encontra-se na seção de auditoria, e deve passar às mãos do procurador Wanderley Carvalho da Silva na semana que vem. O presidente Matta argumentou que os recursos do Sistema Único de Saúde não estão sendo depositados em conta especial, movimentada com fiscalização do Conselho, conforme determina a Lei Federal 8080.
Ele também reclamou da falta de transparência da administração, que não vem realizando as audiências públicas estipuladas pela legislação para análise e divulgação de relatórios detalhados de gastos. Eles deveriam conter montante, fonte de recursos aplicados, auditorias iniciadas ou concluídas no período e oferta e produção de serviços na rede assistencial própria, contratada ou conveniada. ''Não há qualquer preocupação em seguir as regras estabelecidas pela legislação'', afirmou o presidente do Conselho.
O conselheiro também quer saber como R$ 498 mil foram dispendidos pela prefeitura na Saúde, de janeiro a agosto, ''sem melhoras efetivas no atendimento básico''. Segundo Matta, o município estaria mandando dezenas de pacientes para serem atendidos na Santa Casa de Cornélio Procópio. Ele diz que a prefeitura já mandou R$ 160 mil para o hospital da cidade vizinha, nos últimos seis meses, sem qualquer prestação de conta. Matta diz que, como presidente do conselho, nem sequer sabe se existe convênio com o hospital de lá.
Outro questionamento levantado por Matta é o total dispendido em equipamentos para outra Santa Casa, a de Uraí: cerca de R$ 87 mil. Há poucos dias, ela recebeu um gerador elétrico, ao custo de R$ 30 mil. Também recebeu nova mesa e iluminação cirúrgica, além de raios-X. O hospital é uma entidade filantrópica, que teve, nos primeiros meses do mandato da prefeita, toda a diretoria renovada.
Segundo Osnir Borghi, marido da prefeita, vereador de Uraí e médico ginecologista e obstetra nas santas casas de Uraí e Cornélio Procópio, a troca dos gestores teria acontecido após uma ''conversa amigável''. João Fernandes Júnior, provedor da casa desde 1978, e demais administradores deram lugar a uma gestão aliada da administração municipal. ''O hospital é muito importante para a prefeitura'', justifica Osnir, que foi prefeito do município entre 1989 e 1992.
O presidente do Conselho Municipal também reclama da demora para a conclusão das obras no antigo posto de saúde, que só deve ser finalizado no fim do ano. Anteontem, não havia ninguém trabalhando nas reformas do local. ''Ninguém sabe quanto custou essa obra, nem quando vai ficar pronta'', disse. Matta também quer saber se houve licitação para ela, assim como para a compra de uma Kombi, adquirida em 20 de dezembro do ano passado.
A prefeita Iracelis diz que as atitudes de Matta são resultado da disputa política da cidade. ''Ele é ligado ao antigo prefeito, e nos vê como adversários políticos'', afirmou Osnir. Iracelis argumentou que parte dos gastos com equipamento, obras e pessoal não foram detalhados e justificados devido à urgência com que eram necessários para a Saúde municipal. O médico também diz que Cornélio Procópio, por ter atendimento de maior complexidade e pela proximidade, é destino natural de pacientes que não têm como ser tratados em Uraí. ''Tudo o que vem ocorrendo é resultado da índole vingativa e perseguidora da prefeita'', contrataca o presidente do Conselho Municipal de Saúde.

mockup