Falta de preservativos compromete campanhas
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sexta-feira, 20 de maio de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Duas importantes campanhas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e Aids (DST/Aids) deixaram de ser feitas em Londrina por causa da falta de preservativo masculino, o que pode expor perigosamente a riscos o público adolescente e mulheres com parceiro fixo. O trabalho de distribuição de camisinhas feito uma vez por mês no Calçadão (Área Central) e em uma feira livre na Zona Norte pela Organização Não Governamental (ONG) Adé Fidan foi suspenso há cerca de dois meses. A ONG ameaça acionar o Ministério Público, caso a situação não seja normalizada nos próximos dias. O problema também já afeta alguns postos de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde alega que o desfalque tem origem no Ministério da Saúde.
A Adé Fidan presta assistência a profissionais do sexo e realiza abordagens de rua divulgando a importância do uso da camisinha. Mas há dois meses, segundo o presidente Édison Bezerra, a ONG passou a receber uma quantidade menor de preservativos de 5,7 mil/mês para 3,4 mil/mês e teve de suspender duas campanhas preventivas para não comprometer o atendimento a seu público-alvo. Ele alertou que essas duas iniciativas visavam justamente atingir grupos que, estatisticamente, preocupam a coordenação nacional do programa de prevenção de DST/Aids. ''Tivemos que cancelar a distribuição entre mulheres com parceiro fixo e entre adolescentes'', destacou Bezerra, que também integra o Conselho Estadual do Programa DST/Aids. Essas ações aconteciam no Calçadão e na feira livre.
Ele criticou que, mesmo em falta, uma boate voltada para o público GLS em Londrina estaria recebendo gratuitamente do Município 3,4 mil preservativos por mês, descumprindo a decisão de interrupção votada pela Comissão Municipal de DST/Aids. Segundo ele, a ONG já atua na entrada do estabelecimento distribuindo preservativos. ''Vamos procurar a Promotoria de Saúde Pública para que seja esclarecido qual o critério usado pela Secretaria Municipal de Sáude para fornecer à boate'', completou.
O preservativo também está em falta em alguns postos de saúde. Funcionários de unidades da Zona Sul informaram que as remessas de preservativos não estão acontecendo com a frequência costumeira. Na unidade do Parque Ouro Branco, não há camisinhas para distribuir desde o início da semana. Na unidade do Parque Industrial, o produto só continua sendo fornecido porque a direção havia pedido um reforço para fazer uma campanha nas escolas da região, que teve que ser cancelada. No posto central, a saída quando falta tem sido recorrer a entidades que atuam com programas de redução de danos.


