Falta de policiais compromete investigações
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quarta-feira, 02 de março de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Londrina tem seis distritos policiais (DPs), cada um com seis investigadores quatro para revezarem no plantão das carceragens superlotadas e dois para o trabalho de rotina, como investigações. Na planilha do delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Alves André, a teoria é esta. Porém, na prática a situação é bem diferente. Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina (Sindipol), Ademilson Batista, hoje nenhum DP tem condições de fazer investigações.
A reportagem da Folha entrou em contato nos últimos dias e constatou que alguns investigadores estão em férias ou afastados por motivo de saúde. Os poucos funcionários que sobram têm que tomar conta dos detentos. Essa era a situação nos 5º DP, onde dois policiais estão ausentes.
No 3º distrito a situação era parecida dois funcionários estão em férias. Já no 4º DP um plantonista estava ausente. Nas outras unidades, os delegados afirmaram que o quadro de funcionários estava completo. Porém, na última segunda-feira, um policial da superintendência da 10 SDP estava na central ''quebrando a cabeça'' para organizar as escalas dos distritos. O policial, que não quis se identificar, disse ter refeito a escala mais de quatro vezes.
Enquanto isso, na sala do piso superior da 10 SDP, o delegado-chefe afirmava para a reportagem que o número de policiais é suficiente. ''Nós temos aqui na Central o setor de Homicídios e de Furtos e Roubos que ajuda nas investigações para retirar um pouco da carga dos distritos.'' Ele garantiu que há condições de fazer investigações nas delegacias e que em caso de férias um policial da Central é deslocado para o distrito. Quanto à estrutura humana e técnica, ele justificou que o governo faz o que é necessário e possível.
O presidente do Sindipol defende aumento no número do efetivo. Há pouco tempo 18 funcionários, entre eles escrivãos e investigadores, foram direcionados para a cidade, porém, há 30 dias eles voltaram para Curitiba para fazer um fazer um curso de quatro meses. ''Se tivéssemos 12 policiais em cada DP, ainda teríamos que considerar que na realidade apenas 11 estariam trabalhando durante todo o ano. Um vez que, todo mês um deles estaria em férias'', detalhou.
Batista lembrou que além das investigações ficarem comprometidas, a segurança destes profissionais é mínima. ''Há poucos dias mesmo, nós tivemos um policial que ficou de refém no 4º distrito. Ele poderia ter sido morto, porque estava sozinho lá'', recordou.
Hoje no final da tarde, a categoria se reunirá no Sindipol para discutir a falta de recursos humanos e a necessidade de um reajuste salarial. ''Nós não temos aumento real desde 1995'', disse Batista, afirmando que o salário-base gira em torno de R$ 600,00. O sindicado deve encaminhar as reivindicações para Curitiba e se não houver acordo Batista não descarta uma greve.
A reportagem ligou para a assessoria da Secretaria Estadual de Segurança Pública no início da tarde de ontem para saber sobre um possível reajuste salarial e aumento de efetivo. A assessoria informou que para responder as questões seria necessário fazer um levantamento da situação e que, por isso, não poderia responder ontem.


