A seção do Instituto de Criminalística (IC) de Londrina deixou de realizar alguns exames para priorizar o atendimento aos casos de morte na cidade e região. A decisão já foi encaminhada ao diretor-geral do Instituto de Criminalística do Paraná, José Lourenço Bueno, juntamente com um documento apontando todas as dificuldades encontradas pela seção local.
O perito-chefe do IC, Darci Dória de Oliveira, confirmou ontem que o instituto não tem condições de manter o atendimento de todos os serviços. Segundo ele, está sendo preciso priorizar os casos de morte por falta de pessoal. Hoje, apenas 14 peritos inclusive o chefe e o adjunto são responsáveis por atender 92 municípios da região, algumas tão distantes quanto Cândido de Abreu (191 km ao sul de Apucarana).
Segundo um perito, que pediu para não ser identificado, das 14 pessoas especializadas do IC, só os dois especialistas em balística não foram passados para ''localistas'' especialistas que visitam locais de crime. ''E esses, porque fazem análise de mais de 100 armas por mês e não teria condições de deixar parados. Mas o pessoal que faz análise de documentos, de vídeos e fitas, por exemplo, tiveram que ser deslocados'', afirmou. Ele disse que todas as perícias que não estejam relacionadas com casos de morte estão sendo encaminhadas para Curitiba. ''Não é má vontade. Não temos mesmo condições'', argumentou.
De acordo com o mesmo perito, o quadro de funcionários do IC de Londrina não é alterado desde 1973, quando havia 12 peritos e atendia uma população estimada em 250 mil pessoas. ''Hoje temos dois a mais para atender quase o dobro.''
Ele informou que a maioria dos peritos desempenha três funções engenharia, local de morte e exames diversos (como os de compravação de pirataria). ''Além dos homícidios, temos que ir em acidentes de trânsito com morte, sem contar as tentativas de homícidio, em todas as 92 cidades'', explicou. Tudo isso é feito com apenas duas viaturas locadas. ''Se tem um em viagem, outro tem que se virar para atender a cidade toda. Às vezes somos obrigados a ir ao local com nossos carros particulares para que o atendimento seja rápido. O IML (Instituto Médico-Legal) não pode retirar o corpo sem a perícia. E se demoramos, corremos o risco de sermos apedrejados'', contou.
Segundo perito-chefe Darci Dória, a determinação para que todos priorizem o atendimentos a casos de morte se deve realmente à falta de pessoal. ''Além disso, queremos um aprofundamento na investigação técnica para dar mais embasamento às investigações policiais'', explicou. Para ele, é preciso que o perito volte ao local depois, para fazer novos detalhamentos do caso, e isso não estava sendo feito por sobrecarga de trabalho.

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