O trabalho realizado pelas psicólogas e assistentes sociais da Vara da Infância e Juventude é dificultado pela falta de recursos humanos. Dependendo da complexidade do caso, um levantamento psicossocial pode levar muito tempo para ser realizado.
Diante desta deficiência de recursos humanos, os casos mais difíceis, nos quais muitas vezes os pais ou responsáveis não comparecem às audiências marcadas, se arrastam por muito tempo. ‘‘Se a pessoa não vem no dia agendado, as técnicas vão atendendo os outros casos até que esta pessoa apareça novamente’’, diz a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula.
‘‘Precisaríamos de pelo menos mais duas psicólogas e mais duas assistentes sociais’’, afirma o juiz da Vara da Infância e Juventude, Dimas Ortêncio de Melo. Questionado se é feita alguma pressão junto ao Estado para que estas contratações aconteçam, o juiz diz que é ‘‘muito difícil porque depende do Tribunal de Justiça e até da Assembléia Legislativa’’.
A promotora acredita que o quadro só irá melhorar quando a comunidade se envolver na situação e o poder público investir em estrutura social na mesma proporção em que está investindo em publicidade para a industrialização. ‘‘Com esta propaganda de Londrina como cidade industrial, a demanda social cresceu assustadoramente. Do dia para a noite surge um assentamento’’, afirma. ‘‘Só que o Município não está fazendo investimentos sociais para atender as necessidades sociais que estão surgindo’’.
A comunidade, na opinião de Édina Maria de Paula, também tem que fazer sua parte. ‘‘As pessoas dizem que já pagam impostos. Só que não é só o dinheiro que conta. Estas pessoas (que não conseguem cuidar de seus filhos) precisam de atenção, de pessoas que as ajudem a pensar em soluções para suas vidas’’, afirma. ‘‘A sociedade tem que sair desta postura de indignação e se envolver com os problemas da comunidade de forma fraterna, solidária’’. (E.P) .

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