Falta de pediatras é problema crônico
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Silvana Leão Reportagem Local 
Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Leonor (Zona Oeste de Londrina), um recado alertava, dias atrás, que durante o mês não haveria pediatras às segundas-feiras e que os atendimentos com este profissional aconteceriam somente no horário das 8 horas às 17h30. As restrições de horários são apenas uma das reclamações dos usuários do sistema público de saúde que precisam recorrer aos serviços do médico especialista no atendimento de crianças e adolescentes. A demora em ser atendido e a transferência de pacientes para outras unidades são as outras queixas frequentes.
Os salários pagos pela Autarquia Municipal de Saúde aos pediatras - que também enfrentam defasagem nos valores adotados por vários planos de saúde - são o principal entrave na contratação de mais profissionais, resultando no número insuficiente de médicos. Enquanto Londrina paga R$ 3.483,13 por 20 horas semanais de trabalho, Rolândia, município que integra a Região Metropolitana de Londrina (RML), paga R$ 5 mil pela mesma carga horária. Sertanópolis, também na RML, paga R$ 12 mil por 40 horas semanais (leia mais nesta página).
Segundo dados fornecidos pela Diretoria de Gestão de Pessoas e Educação em Saúde do município, há 42 pediatras e 41 plantonistas na área de pediatria para atender 54 UBSs. O último concurso para contratação de profissionais foi realizado em 2009. Atualmente há solicitação de abertura de concurso para quatro especialidades médicas, entre elas pediatria. A reportagem tentou, por três dias seguidos, falar com o secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, sobre o assunto, mas não houve retorno das ligações.
Mais cômodo
Segundo o coordenador médico do Pronto Atendimento Infantil (PAI), Mohamad El Kadri, a unidade faz até 350 atendimentos por dia, e quanto maior a gravidade dos casos, maior o tempo de espera. ''O ideal seria conseguirmos manter a média de 250 atendimentos por dia, mas é imprevisível. Muitos pais trazem os filhos para cá porque sabem que aqui eles sempre serão atendidos.''
Para El Kadri, a situação seria mais tranquila se a oferta de pediatras nas UBSs fosse maior. ''Com certeza as mães prefeririam levar os filhos para ser atendidos perto de casa. Seria mais cômodo e demandaria menos tempo. O problema é que o município já fez vários concursos, mas não aparecem interessados nas vagas.''
Perspectiva econômica
A falta de remuneração adequada para os pediatras atinge também os profissionais ligados a planos de saúde. Movimento liderado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) ameaça com descredenciamento em massa, o que poderá provocar a migração de usuários de convênios para o Sistem Único de Saúde, agravando ainda ainda mais a situação nos postos de saúde.
Uma carta enviada dias atrás pela Sociedade Paranaense de Pediatria à Associação Médica do Paraná (AMP) informa que cada vez menos formandos em Medicina optam por se especializar em Pediatria. O documento informa que, em análise aprofundada, ''foi constatado de que o motivo principal é a precária perspectiva econômica dos profissionais desta categoria''. (Colaborou Diogo Cavazotti)


