Luis Henrique da Silva, 15 anos, fez aniversário ontem mas pode não receber o presente que gostaria: treinar futebol na escolinha do Palmeiras. Para poder viajar no próximo domingo, ele tentou retirar ontem o documento de identidade na regional do Instituto de Identificação em Londrina, mas descobriu que o serviço está interrompido por tempo indeterminado. O problema é a falta do papel usado para imprimir o documento, que já compromete o atendimento em praticamente todo o interior. Na capital, o serviço está sendo prestado normalmente.
Na regional de Londrina, que abrange 22 municípios, a emissão do documento está interrompida desde o início da semana passada, quando acabou o estoque de cédulas. A última remessa de papel foi recebida em fevereiro. Por dia, são feitos de 50 a 80 novos pedidos para retirada do registro geral, que demora cerca de 60 dias para ficar pronto.
Em Foz do Iguaçu, o problema também é crônico. A Unidade de Identificação emite cerca de duas mil carteiras de identidade por mês, mas o serviço foi paralisado na última sexta-feira e não há previsão para sua normalização. Numa conta simples, 500 pessoas não conseguiram retirar o documento apenas nesta última semana. Em Foz, a última remessa de papel também foi recebida em fevereiro último.
A regional do Instituto de Identificação de Cascavel interrompeu o recebimento de novos pedidos de RG na última segunda-feira. Dos 37 municípios atendidos pela regional, em 20 o serviço está suspenso. Em Maringá, a Folha também dispunha da informação de que esse atendimento não estaria sendo prestado desde a semana passada, mas a reportagem não conseguiu confirmar esse dado.
Enquanto o problema da falta de papel não é resolvido, Luis Henrique, que já estava arrumando as malas para seguir atrás do seu sonho, vai ter que desfazer a bagagem. Como a mãe não tem disponibilidade para viajar com ele até a capital paulista, o garoto não poderá embarcar sozinho sem dispor do documento ou, no mínimo, do protocolo junto ao Instituto de Identificação.
''Uma tia já tinha arrumado tudo para ele começar a treinar na segunda-feira e se ele perder essa data, só (conseguiria sua inclusão no time) no ano que vem'', comentou a mãe, a auxiliar de produção Maria de Lourdes da Silva, de 44 anos. ''Não acho isso certo porque sem um documento valioso como este a pessoa pode ir até presa'', reclamou. (Colaboraram as sucursais de Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá e Cascavel)

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