Falta de pagamento paralisa serviços
Maurício Borges
Odair StraliottiLixo é acumulado nas ruas centrais e de bairros de ApucaranaDesde a tarde de anteontem o lixo começou a ficar acumulado nos bairros e no centro de Apucarana, a partir da decisão da Construfert de paralisar os serviços terceirizados de varrição e coleta do lixo urbano. A medida foi justificada pela falta de pagamento dos serviços por parte da Prefeitura de Apucarana.
Ontem, para conter o acúmulo de lixo na cidade, a Secretaria de Serviços Urbanos improvisou a coleta de lixo com operários e quatro caminhões. Ao mesmo tempo, o prefeito Carlos Scarpelini (PPB) surpreendia diretores da Construfert, anunciando em entrevista coletiva, que a prefeitura está assumindo a execução deste serviço.
Infelizmente não temos suporte financeiro para arcar com os custos da terceirização do serviço, comentou. A prefeitura gasta em média R$ 130 mil por mês. Com a locação de veículos coletores e pessoal próprio, a prefeitura pretende reduzir o custo em pelo menos 50%.
A decisão visa reduzir custos da máquina administrativa. Estamos nos adaptando a uma nova realidade ditada pelo Plano Real, e numa época em que o desempenho da receita tem sido fraco, justificou.
De acordo com Scarpelini, em 97 a prefeitura arrecadou cerca de R$ 300 mil com as taxas de varrição e coleta de lixo, cobrados no Imposto Predial Urbano (IPTU), enquanto que a despesa com a terceirização é de R$ 1,5 milhão/ano. Ele assinalou ainda que se os operários que estão a serviço da Construfert forem dispensados, a prefeitura pretende contratá-los para trabalhar na mesma função.
Ontem o gerente da Construfert, engenheiro Alexandre Villanova Sorroche, disse que a empresa parou os seis caminhões coletores, demais veículos e 90 operários, devido ao atraso no pagamento pelos serviços.
Segundo ele, a prefeitura está em atraso desde fevereiro de 97, e a dívida acumulada é superior a R$ 1,2 milhão. Não há como sustentar a continuidade do serviço com uma inadimplência deste nível, criticou, anunciando que, provavelmente, a Construfert irá conceder férias coletivas aos seus operários.
Villanova revelou ainda que na gestão do ex-prefeito Valter Pegorer (PSDB) foi deixado de pagar R$ 1,9 milhão à empresa, e que essa dívida está sendo cobrada judicialmente. O contrato de prestação de serviço mantido com a prefeitura tem ainda mais três anos de vigência. Se houver quebra de contrato, isso também será alvo de uma ação na justiça, frisou.





