Depois de anos de indecisão sobre a escolha do terreno, uma série de adequações definidas no decorrer da obra e o embróglio em torno da destinação para presos condenados ou provisórios, a inauguração do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina sofreu mais um revés. Dessa vez, seria a falta de pagamento de uma parcela da obra que estaria atrasando sua entrega.
A informação foi confirmada ontem pelo engenheiro-chefe do Departamento Estadual de Obras e Construção (Decon) em Londrina, Valmir Matos. ''Pelas informações que tenho, ainda resta uma última fatura a pagar à empreiteira. Eu não posso fazer o encerramento da obra enquanto houver essa pendência'', declarou. Segundo Matos, a responsabilidade pelo pagamento é da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania (Seju).
O engenheiro Edinei Gonçalves Lourenço, proprietário da Indústria de Habitação Polo Ltda, de Astorga - construtora do centro de detenção - confirmou que ainda aguarda o pagamento de cerca de R$ 1,1 milhão referente ao serviço. Ele frisou, contudo, que considera o atraso ''normal, diante dos tradicionais problemas de abertura do exercício fazendário do Estado, em início de ano'', e que em nenhum momento impediu a abertura do CDR.
''A obra está concluída desde janeiro. Inclusive já entregamos as chaves. Só não assinamos o termo de entrega provisória da obra, que é uma obrigação contratual'', atestou. Ele lembrou que o contrato foi de R$ 11,9 milhões, dos quais falta o valor equivalente à última parcela e correções legais pela inflação. A empresa também está concluindo o CDR de Cascavel e os Centros de Sócio-Educação de Maringá e Piraquara.
O chefe local do Decom afirmou que, mesmo com a entrega das chaves, não pode formalizar a entrega da obra sem a quitação da dívida. ''Esperamos que isso aconteça logo. A obra está pronta e há muita lenga-lenga, enquanto os distritos policiais continuam sofrendo tentativas de fuga'', avaliou.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o secretário estadual de Justiça e Cidadania, Jair Ramos Braga, informou que a previsão de inauguração é ''estimada'' para abril. Ainda segundo a assessoria, o secretário alegou que sua pasta apenas aguarda o recebimento oficial da obra por parte do Decon. Não houve explicações sobre o atraso no pagamento.
Outra informação prestada pela assessoria é de que os 197 agentes penitenciários (187 masculinos e 10 femininos) que irão trabalhar no local já estão treinados e capacitados. Questionado pela FOLHA sobre a solicitação feita por moradores do Jardim Acapulco (Zona Sul), de que seja revista a transferência de presos provisórios para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), o secretário informou que não se manifestaria. Anteontem, os moradores disseram que se não tivessem resposta até hoje, organizariam um protesto em Curitiba.

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