A falta de oportunidade de emprego formal é a principal causa do elevado número de catadores de material reciclável nas ruas de Londrina. O fator mais preocupante é a falta de perspectivas para o futuro, já que cada vez mais jovens estão recorrendo à atividade para garantir o sustento. Três moradores da Zona Leste de 11, 13 e 15 anos percorrem todos os dias a Região Central em busca de papel para comercializar. Fora da escola, eles dizem que a renda diária média de R$ 20 é essencial para o sustento da família.
O jovem de 15 anos conta que abandonou a escola este ano. ''Parei porque tinha muita briga onde eu estudava'', conta. Diariamente, recolhe até 200 quilos de papel ou papelão. Na companhia dos amigos, ele puxa o pesado carrinho até o final da tarde, quando enfrentam o trajeto até a Zona Leste, para entregar o material e receber os poucos reais resultantes da venda para o depósito.
Esperançosos, os três afirmam que pretendem voltar a estudar já no próximo ano. O objetivo é tentar um futuro melhor, longe dos perigos e da árdua rotina do trabalho na rua. Educação que, atualmente, deixou de ser garantia de vida digna.
A promotora da Vara da Infância e do Adolescente, Édina Maria de Paula, ressaltou que apesar de não estarem cometendo crime, os menores estão em situação de risco. ''O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) prevê que a preservação da imagem e da identidade de crianças em situações vexatórias ou complicadas como esta'', destacou.
Segundo ela, a obrigação de todos que presenciarem jovens em situação de risco é denunciar ao Conselho Tutelar. O telefone do plantão 24 horas é 9991-6752. A vice-presidente do Conselho Tutelar Região Norte, Rita Bastos, explicou que o órgão faz contato com a família e o encaminhamento da criança ou adolescente para programas governamentais de assistência social.
O catador Renato (nome fictício), 28, terminou o Ensino Médio e foi funcionário de uma loja em um dos shopping centers mais tradicionais da cidade. ''Depois que meu pai morreu fui mais para o lado do trabalho do que do estudo'', conta. Hoje, ele diz estar ''na batalha'' para sustentar a família, dependendo apenas do próprio esforço, nas esperança de conseguir uma oportunidade de conquistar uma vida melhor. (F.R.F.)

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