Londrina - Basta uma procura rápida no site de buscas para ter acesso a diversas dietas milagrosas. As mulheres, principalmente, não se acanham em seguir a mesma receita que uma determinada famosa, em busca de perder aqueles quilinhos a mais. Muitas vezes, entretanto, em poucos dias o mau humor se instala e é comum jogar a culpa na dieta, como se a fome fosse a responsável pela irritação. O que muitos não sabem é que a carência nutricional que uma dieta mal feita pode acarretar influencia diretamente no humor.
"As dietas para perda de peso muito restritivas e sem embasamento científico podem levar a uma situação de mau humor, de não estar bem. Quanto mais tempo você mantiver (a dieta), pior vai ficar. Por isso as dietas para perda de peso devem ser equilibradas. Quando as pessoas veem a receita de leite, pão, fruta, salada e carnes acham batido, mas é isso que funciona, desde que adaptado a você", alerta a nutricionista Sandra Fernandes, de Londrina.
Segundo ela, trabalhos científicos dos últimos anos mostram a relação dos alimentos e humor, incluindo o nível de ansiedade, a tristeza e a depressão. "Se forem adequadamente planejados, dentro de uma dieta, os alimentos servem para amenizar a ansiedade, aplacar a tristeza e melhorar o humor", explica.
Sandra alerta, entretanto, que não basta consumir determinados alimentos, mas que para dar certo é necessário o planejamento de uma rotina alimentar equilibrada, saudável e individual. Ela conta também que em determinadas épocas podem surgir necessidades diferentes. "Em períodos de estresse, por exemplo, pode ser necessário suplementar um pouco um determinado nutriente."

Neurotransmissores
A principal relação entre alimentos e humor está na produção e liberação de neurotransmissores, entre eles a serotonina, a dopamina e a noradrenalina, considerados alguns dos mais importantes. "Os alimentos entram tanto na produção quanto na liberação. A serotonina é responsável pela sensação de bem-estar e traz uma sensação de tranquilidade e sedação. A dopamina e a noradrenalina estão ligadas à sensação de energia, para atividades do dia a dia, para o trabalho, para atividades físicas", explica a nutricionista.
Sandra ressalta que um item tido como vilão nas dietas, o carboidrato, é um dos principais responsáveis pela produção da serotonina. "O carboidrato é o responsável juntamente com o triptofano, um aminoácido encontrado em carnes magras, nos peixes, nas leguminosas, como feijão, lentilha, grão de bico e nas oleaginosas como por exemplo as castanhas, avelãs, nozes e macadâmias."
Já para a produção de noradrenalina e dopamina, é necessário o aminoácido chamado tirosina, presente também em leites e derivados, ovos, nas carnes magras, peixes, oleaginosas e leguminosas.
Além dos aminoácidos, elementos presentes em uma alimentação saudável e equilibrada também colaboram para a produção e liberação de neurotransmissores, como vitamina C, vitamina B6, vitamina B12, ácido fólico, zinco, selênio, magnésio e ômega 3.
A suplementação, segundo a nutricionista, é recomendada apenas nos casos de estresse extremo ou um quadro de depressão instalada. "Usamos doses maiores (dos elementos) para ter uma ação terapêutica e não preventiva. A ansiedade e a tristeza podem surgir por um desequilíbrio alimentar. Se você equilibrar, (o quadro) melhora", garante.

Imagem ilustrativa da imagem Falta de nutrientes pode causar mau humor
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