A falta de condições de pagar aluguel e a ausência de um programa habitacional efetivo está levando famílias a situações extremas em Maringá. Segundo estimativas da União de Moradia Popular, entidade informal que orienta os ''sem-teto'', existem cerca de 20 mil famílias na cidade com dificuldades extremas para pagar aluguel ou sem moradia.

O catador de papel João da Silva, 50 anos, pai de três crianças, invadiu há mais de um mês uma casa na Vila Esperança, em Maringá, depois que foi despejado. Ele conta que pretende ficar no local até pedirem a casa de volta. ''É difícil viver assim, mas não tenho escolha'', lamenta o catador.

Silva recolhe papelão e latas de alumínio junto com um filho de 11 anos. Ele sustenta a mulher, e outros dois filhos, de 5 e 3 anos, com uma média de R$ 80,00 por mês. ''Mal dá para comer e ainda vivemos nesta casa sem água e sem luz'', relata.

O desempregado Aparecido dos Santos, 39, vive no esqueleto de um prédio abandonado próximo da universidade. Santos divide o espaço com outras quatro pessoas, a maioria sobrevivendo como catadores de lixo. Conforme Santos, catar papelão rende um média de R$ 10,00 por dia, mas o dinheiro não é suficiente para pagar um aluguel. ''Deixei minha família em São Paulo e tento sobreviver por aqui'', diz o desempregado.

A diretora de Habitação da Prefeitura de Maringá, Márcia Januário, conta que o caso do catador Silva é o primeiro de invasão de propriedade particular. Segundo Márcia, a diretoria acompanha oito casos de ocupação de áreas públicas. ''Eram 13 casos no início do ano, mas em cinco deles nós conseguimos uma solução'', diz a diretora.

No último levantamento feito pela Diretoria de Habitação, em 1993, cerca de 12 mil pessoas se cadastraram em busca de financiamento para a casa própria. Segundo Márcia Januário, o número mais atual é o da Cohapar que levantou um cadastro com 9 mil pessoas.

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