Falta de médicos dificulta tratamento de doenças graves
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quinta-feira, 20 de abril de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Apenas um especialista está atendendo as dezenas de pacientes que procuram diariamente o Centro Integrado de Doenças Infecciosas (Cidi) de Londrina, unidade de referência para todo o município e cerca de 20 cidades da região. O atendimento, que já era insuficiente com dois profissionais, ficou ainda mais tumultuado depois que uma médica pediu demissão, em fevereiro.
O problema exige solução urgente, uma vez que o Cidi acompanha pacientes com moléstias graves e em alguns casos contagiosas, como Aids, tuberculose, leishmaniose e malária. A contratação de um novo especialista, contudo, está sendo atrasada pela velha e conhecida burocracia dos órgãos públicos, que não poupa sequer os serviços essenciais. O caso do Cidi ainda é agravado pela confusão entre esferas administrativas: tanto Município quanto Estado são responsáveis pela unidade. A seleção dos profissionais fica a cargo do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar).
A médica que deixou o Cidi atendia diariamente no turno da manhã. Já o infectologista que permaneceu possui carga-horária de 12 horas, o que lhe permite trabalhar apenas três dias por semana, no turno da tarde. O resultado é o acúmulo de pacientes, que são recebidos com consultas cada vez mais rápidas. Segundo a gerente do Cidi, Sueli Galhardi, o especialista atende uma média de 25 pacientes em quatro horas. Por mais que o médico se esforce, qual é a qualidade de atendimento que ele pode oferecer com essa sobrecarga e ainda atendendo casos complicados?, questionou a gerente.
De acordo com Sueli, a unidade atende hoje mais de mil pacientes, dos quais uma parte procura o serviço esporadicamente. Outros precisam de acompanhamento contínuo é aí que a falta de médicos se torna mais perigosa. Pacientes com Aids, por exemplo, precisam ter estímulo e confiança no médico para não interromper o tratamento. E se um remédio não estiver fazendo efeito ou provocar alguma rejeição ele precisa recorrer rapidamente a um especialista, ressaltou.
A grande rotatividade de médicos que tem ocorrido no Cidi também atrapalha os tratamentos. Segundo a diretora-executiva da Secretaria Municipal de Saúde, Margaret Shimiti, um dos motivos para a curta permanência dos profissionais no Cidi é a falta de aptidão para lidar com moléstias infecciosas. Esse é um trabalho com característica multidisciplinar, em que é necessário lidar com o estigma da doença, com a família do paciente, observou.
Margaret assegurou que a Secretaria já tem uma solução provisória para a falta de médicos. Enquanto não sai o processo formal de substituição da médica, um profissional do PSF (Programa Saúde da Família) irá utilizar parte de sua carga-horária para atender no Cidi, disse. O Cidi informou que esse profissional começa a trabalhar na segunda-feira de manhã, mas que só atenderá três vezes por semana.
O deslocamento de um médico-tampão para a unidade não tranqüilizou Edson Bezerra, coordenador-geral da Adé Fidan entidade londrinense que apóia portadores do vírus HIV. Não acho que traz muito resultado pôr um tapa-buraco. A nossa preocupação é que os pacientes acabem largando a adesão ao tratamento (de Aids). Quem sai perdendo com a burocracia e o problema entre Estado e Município (na gestão do Cidi) somos nós, criticou Bezerra, ele próprio paciente do Cidi.


