Cerca de 260 portadores de insuficiência renal crônica em Londrina de um total de aproximadamente 350 estão assustados desde segunda-feira. Há dois dias acabou na rede pública de saúde o medicamento Eritropoetina, utilizado para estimular a eritropoese (formação de hemácias) em pacientes com o problema. ''Esta situação é apavorante para nós'', afirma o renal crônico Orlando dos Reis, 39 anos, que faz uso da Eritropoetina há cinco anos, três vezes por semana, durante as sessões de hemodiálise no Instituto do Rim. Uma assessora da 17 Regional de Saúde que preferiu não se identificar admitiu, ontem, a falta do remédio e disse que o problema foi encaminhado ao secretário de Estado da Saúde, Luiz Carlos Sobania.
Por sua vez, a Secretaria de Estado da Saúde, através da assessoria de comunicação, admitiu a carência, mas informou que a Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar) fez a compra de 300 ampolas do remédio em caráter emergencial, que deverão chegar hoje a Londrina. De acordo com a Secretaria de Saúde, a entrega do Eritropoetina atrasou por falta de documentação no processo de licitação para a compra mensal; mas a situação deverá ser regularizada na semana que vem. Mensalmente, a Cemepar envia a Londrina cerca de 4 mil ampolas.
As pessoas que necessitam do medicamento produzem quantidades insuficientes da substância e geralmente são portadores de anemia grave. A portadora de insuficiência renal Dirlei dos Santos Donner, 51 anos, é mulher do presidente da Associação dos Doentes Renais Crônicos de Londrina e Região (Arenalon), Luiz Carlos Donner. Ele foi o primeiro a procurar segunda-feira pelas ampolas. ''Ela só tem o remédio para esta terça-feira (ontem)'', afirma Donner, preocupado com a saúde da esposa. ''Espero que a situação se resolva o mais breve possível.''
Em contrapartida, a portadora de insuficiência renal crônica, Claúdia Ribas Gehler, 35 anos, que faz uso deste remédio há dez anos antes de o Governo do Estado começar a fornecê-lo, em 1996 não está precisando das ampolas, mas emprestou para sua colega de hemodiálise, Maria Francisca. ''Meu nível de hematócritos está bom'', observa.
Nem todos pensam da mesma maneira. Osvaldo Roberto Lopes, 37 anos, que aplica as ampolas nas sessões de hemodiálise há quatro anos, reagiu: ''Não pode faltar, não.''®MDNM¯ Sua preocupação é justificada pelo colega Orlando dos Reis. ''Sem o medicamento, temos que fazer transfusão de sangue, e isto afasta a possibilidade de um eventual transplante'', comenta Reis.
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