Falta de medicamento preocupa pais
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Marcos Zanatta 
A falta dos medicamentos Lupron e Decapetyl na rede de distribuição feita pelo governo do Estado, está afetando 17 crianças da região de Maringá que sofrem de puberdade precoce verdadeira. Os dois remédios fazem parte de uma lista de 16 medicamentos, elaborada pelo Ministério da Saúde, e repassados para pacientes carentes. Todos são de alto custo, como os que estão em falta há dois meses no Hospital Universitário (HU), que coordena a distribuição. O Lupron está custando R$ 340 e o Decapetyl R$ 383. Nós compramos o remédio no mês passado, nem terminamos de pagar e não temos como comprar agora, conta a mãe de uma menina de sete anos, que pediu para não ser identificada.
A assistente social do HU, Miriam Fernandes Martins, disse que a média de idade das crianças em tratamento de puberdade precoce na região de Maringá fica entre nove e 12 anos, e a maior parte é de famílias carentes. Orientamos os pais a procurar ajuda junto aos órgãos de defesa da criança e no município, explica Miriam. Segundo ela, desde que o Estado iniciou a distribuição, há cerca de dois anos, é a segunda vez que o repasse não é feito. Quem não consegue comprar simplesmente interrompe o tratamento, lamenta.
Quando a criança com a doença pára de tomar o remédio, existe o risco de fechar o crescimento hormonal, acarretando uma série de sintomas para a menstruação precoce e crescimento dos seios nas meninas, ou o aparecimento de pêlos no corpo dos meninos. Nos dois sexos o sintoma mais preocupante é a paralisação do crescimento. Quando em tratamento a criança deve tomar a dose única do medicamento a cada 28 dias.
A dona de casa Aparecida Vitória Reis, de Maringá, mãe de Rosimeire, nove anos, há dois vem recebendo o medicamento do programa do Estado. Ontem ela disse à Folha que a filha teve que paralisar o tratamento pela falta do remédio. Meu marido está desempregado e a gente não tem dinheiro para o remédio, lamenta. Junto com outras mães na mesma situação, ela já apelou ao Conselho Tutelar e ao SOS Plantão Social do município, mas não conseguiu ajuda. No ano passado faltou por alguns meses, mas a gente acabou conseguindo uma hora aqui outra lá. Agora estou preocupada, disse.
O vendedor autônomo Antonio Vidal, também de Maringá, que tem uma filha com o problema, também não tem condições de comprar o medicamento. Estou trabalhando muito para ver se consigo dinheiro suficiente, desabafou. Ele acha um descaso o governo assumir um programa como o de distribuição de medicamentos e enviar os remédios quando bem entende. O mais duro é a falta de expectativa, afirma.
A Folha tentou falar com a diretora do Cemepar, Lore Lamb, órgão da Secretaria de Saúde do Paraná, responsável pela distribuição dos remédios, mas não obteve retorno. Um dos assessores dela, Manoel Vasquez, disse que a compra dos medicamentos em falta está seguindo o trâmite normal, e depende da Secretaria de Saúde. Ele adiantou ainda que não existe previsão para o reinício da distribuição dos medicamentos.


