O curativo feito no pé de um paciente, no Pronto Atendimento Municipal (PAM), em Londrina, teria sido fixado com pedaços de luva cirúrgica por falta de ataduras. A denúncia recebida pela reportagem da Folha ilustra bem a situação da carência de materiais que atinge as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o PAM. A diretora executiva da secretaria municipal de Saúde, Margarete Schimit, admite a falta de produtos básicos para a manutenção das unidades de saúde do município. O problema estaria acontecendo desde o início do ano e teria sido gerada por problemas nas licitações para aquisição dos materiais, principalmente bens de limpeza.
Uma das várias situações complicadas enfrentadas pelos funcionários do PAM é a falta de toalhas de papel para realizar a higienização das mãos. ''Estamos usando fronhas para secar as mãos. Imagina se eu tratar de um paciente que tem conjuntivite, lavar, depois secar as mãos na fronha e atender outro paciente? Posso transmitir a doença'', analisou um funcionário, que pediu para não ser identificado. ''Aqui (PAM) falta tudo'', acrescentou.
A reportagem da Folha esteve no PAM na tarde de ontem e a enfermeira-chefe do plantão da tarde, que preferiu não ser identificada, negou que estivessem faltando produtos no estoque da unidade. Ela, entretanto, não autorizou que a reportagem observasse os materiais estocados.
Margarete avalia que a falta de produtos ocorreu de forma generalizada nas unidades ocasionando, inclusive, neste ano, compras emergenciais de alguns materiais. Ela declara, ainda, que com frequência a secretaria enfrenta situações em que não há produtos disponíveis. Todavia, de acordo com ela, na semana passada, todos os estoques da secretaria teriam sido regularizados.
Atualmente, com a adesão à greve da maioria dos funcionários do setor de distribuição da secretaria de Saúde, a questão é fazer com que os bens cheguem até as unidades de saúde que estão funcionando, explica a diretora executiva. Segundo dados da secretaria, Londrina possui 52 unidades de saúde e, mesmo com a greve, 35 delas estão atendendo.
Margarete reforça que os produtos estão sendo distribuídos, prioritariamente, para as unidades que estão em funcionamento durante a greve. ''Não vou mandar material para lá (PAM) se eu não sei quem está lá cuidando do estoque. Queremos evitar os desvios e nem pretendemos montar grandes estoques dentro das unidades. O PAM deve estar atendendo 10% do normal'', enfatiza. Em dias normais, o PAM faz cerca de 300 atendimentos diários.
Segundo Margarete, os estoques das unidades devem ser totalmente regularizados quando os funcionários voltarem ao trabalho. Por enquanto, a equipe de distribuição está se revezando para atender as solicitações de todas as unidades de saúde da cidade.

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