Forro caindo, água minando do chão, goteiras. Esses são alguns dos problemas que afetam o Centro Cultural Lupércio Luppi, no Conjunto Aquiles Stenghel (zona norte de Londrina). O prédio, que já funcionou como um supermercado, em 2004 foi transformado no centro cultural e hoje abriga uma biblioteca e oferece aulas de balé - através da Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart), acesso gratuito à Internet, oficinas da Rede da Cidadania e atividades culturais. O espaço também é usado pela Associação Cristã de Mulheres in Casa de Talentos, que promove cursos de corte e costura e cabeleireiro e manicure, entre outros.
Andando pelo local é fácil perceber que um dos principais problemas é a infiltração, responsável pelas manchas e goteiras em todo o prédio. Na sala usada para as aulas de balé, parte do forro já cedeu e há placas penduradas, oferecendo risco para os alunos. A sala é utilizada durante todo o dia e atende cerca de 200 crianças e adolescentes.
"Deixamos um balde para aparar a água que cai do teto. Já molhou o aparelho de som, os sofás. Tenho medo de cair esse forro e machucar alguém. Inclusive já tivemos que suspender as aulas por conta da infiltração", destaca a professora Rosângela Homem Pereira.
No fundo da sala, uma grande quantidade de monitores, impressoras e outros materiais de informática juntam poeira e servem de esconderijo para baratas e outros insetos. "A situação é preocupante. O dia que essa placa cedeu caiu uma água verde e malcheirosa na sala. Quando chove o tablado fica molhado. Esse espaço poderia ser usado para as meninas se alongarem e está cheio de entulho", reclama Denise de Oliveira Dutra, mãe de uma aluna do balé.
Sulei Pereira da Silva também leva a filha de 13 anos diariamente para as aulas e reclama das condições sanitárias. "Repara nesse mau cheiro. Minha filha vive resfriada, por conta desse pó e da umidade. Por mim ela parava de fazer aula, mas ela não quer", argumenta.
As mães ressaltam que apesar das condições do local, não seria interessante que as aulas fossem transferidas para a sede da Funcart, próximo ao Lago Igapó (área central). "Os espelhos e o tablado da sala foram doação dos pais. Aqui é uma região muito carente de tudo e se fossem transferidas as aulas ficaria muito ruim, já que gastaríamos mais tempo e mais dinheiro para levar as crianças", afirma Denise.
Na sala ao lado, as condições da biblioteca não são melhores. Além das goteiras e infiltração, a água também mina no chão quando chove muito. Dois pontos dentro da biblioteca foram desocupados, já que sempre apresentam problemas e marcas da chuva de domingo eram visíveis, na forma de poças.
"Já tivemos que arrastar as estantes para evitar que os livros estraguem. Também cobríamos os computadores para evitar que se molhassem. No fim de semana que chove muito, a gente sempre fica pensando se estragou alguma coisa", conta Carlos Antônio Delfino, atendente da biblioteca há cinco anos.

Calha entupida
A presidente da Associação de Mulheres, Gislaine Dias Elias, conta que na sala ocupada por elas a situação melhorou depois que um funcionário limpou as calhas. Porém, a saída de água do telhado acima das portas atrapalha bastante, principalmente no salão de cabeleireiro, aonde as alunas atendem a comunidade.
"Com a limpeza as goteiras pararam, mas fica ruim usar aqui nos dias de chuva. Também temos problemas com os moradores de rua que usam esse espaço coberto para dormir a noite. Hoje até que está limpo, retiramos apenas os papelões que eles usaram, mas geralmente não é assim. Talvez se colocam uns portões aqui, para que pudesse fechar esse espaço durante a noite, ficaria melhor", observa.
"Os cliente ficam desconfortáveis porque a sala é pequena e eles aguardam do lado de fora. Atendemos entre 20 e 25 pessoas por dia e quando chove eles vão embora, prejudicando as aulas", diz a monitora do curso de cabeleireiro, Nilza Maciel da Silva Giroto.

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