Basta uma pequena volta pelas ruas para constatar a precariedade de muitos veículos que circulam por Londrina. Alguns com faróis quebrados, outros com pneus carecas, isso sem falar nos problemas que não são visíveis, como a falta de freio. Segundo o camandante da Companhia de Trânsito (Ciatran), tenente Ricardo Eguedes, esta falta de manutenção da frota associada à imprudência de alguns motoristas aumentam as chances de acidentes.
No último balanço realizado pela Ciatran, no mês de junho, foram 509 acidentes, com 228 feridos e oito mortos. Se consideradas as oito ocorrências que resultaram em morte, duas delas envolviam veículos com mais de 15 anos de uso. Coincidência ou não, dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran- PR), mostram que dos 188.731 veículos que circulam em Londrina, 39.905 têm mais de 20 anos de uso, o que representa 21,14% da frota.
Segundo o comandante da Ciatran, a idade do carro não está diretamente ligada ao estado de conservação, mas o mecânico Ronivaldo Rafael, de 32 anos, observa que, com o passar do tempo, há um desgaste natural dos freios e surgem algumas falhas no motor. ''Isso depende muito do dono, se ele tem dinheiro sempre vai manter o carro em ordem'', disse o mecânico. ''Hoje é muito fácil comprar um carro, mas o difícil é mantê-lo. Tem gente que não tem dinhero para colocar combustível.''
A situação é confirmada por um dono de uma oficina mecânica na Zona Sul, Luciano Vieira, 25 anos. ''Quando a pessoa não tem dinheiro faz só o básico'', contou. Ele exemplificou que se o carro tem um problema de freio, geralmente, precisa trocar as pastilhas e tornear o disco, mas o serviço completo fica em torno de R$ 120. ''Aí eles só trocam a pastilha que custa R$ 25'', declarou. O perigo deste ''improviso'' é explicado por Rafael. ''O carro com problema de freio não consegue fazer um parada brusca. Para parar em um cruzamento ele precisa reduzir a velocidade alguns metros antes'', disse o mecânico.
Para o comandante da 2 Companhia de Polícia Rodoviária, capitão Sérgio Dalbem, este tipo de ocorrência é mais propensa no perímetro urbano, uma vez que nas rodovias a maior causa de acidentes é a velocidade característica dos veículos mais novos. Contudo, ele ressalta que o perigo de um veículo antigo é iminente. ''Além de ter uma pane, um pedaço do paralama pode desprender e causar acidentes não só para o condutor daquele veículo, mas para outro que passe pelo local'', exemplificou. A fragilidade da lataria também traz perigo a motoristas e passageiros, que ficam mais vulneráveis durante às colisões.
Dalbem recordou que no dia 13 de junho um casal morreu e três crianças ficaram feridas em um acidente entre um caminhão e um Fusca na PR-445, na entrada do Conjunto Jamile Dequech, na Zona Sul de Londrina. ''Nesta situação foi dito que teria havido uma pane no Fusca porque era velho, mas para ter certeza teria que ser feita uma perícia no carro'', relatou. Uma blitz realizada há dois meses por uma seguradora mostrou que, de 100 carros vistoriados, 45 apresentavam algum problema mecânico. ''Isso foi só uma amostra, mas podemos fazer uma projeção para a cidade'', disse o diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior.

mockup