Falta de manutenção e cuidados no Heimtal
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quarta-feira, 02 de novembro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
As antigas sepulturas estão carregadas com as marcas do tempo. Muitas pequenas cruzes ou simples marcos de cimento sem qualquer informação indicam os locais onde algum dia alguém foi enterrado. Poucas flores, poucas velas. O Dia de Finados costuma ser uma das únicas ocasiões no ano em que o Cemitério do Patrimônio Heimtal (Zona Norte) recebe visitantes. O mais antigo campo santo da cidade está morrendo aos poucos por causa da falta de manutenção e cuidados.
Construído no início da década de 30, ali estão sepultados os primeiros habitantes que chegaram à região. Ao todo, são quase 360 jazigos. As placas e inscrições indicam que foi naquele cemitério que muitos dos imigrantes europeus encontraram sua última morada. Segundo o zelador José Aniceto, que orientava os visitantes ontem, os sepultamentos ainda são realizados mas são cada dia mais raros. Muitas sepulturas se reduziram, com o tempo, a singelas cruzes fincadas na terra ou pequenos marcos feitos com tijolos. Poucos são os túmulos que exibem bom estado de conservação.
Da família do aposentado Inácio Salomon, 91 anos, estão sepultados no cemitério seis parentes próximos. ''Este cemitério é bem mais antigo do que o da cidade'', lembra o descendente de húngaros que ainda conserva forte sotaque. A família chegou à região em 1935, fugindo da 2 Guerra Mundial. Acompanhado pelos filhos Inês e Inácio Valmir, ontem ele levou flores aos túmulos e relembrou os bons momentos vividos junto dos pais, das duas esposas que teve e dos irmãos, todos já falecidos e enterrados no lugar.
Da família dos irmãos Claudemir Nelson e Elizabete Nelson de Oliveira, pelo menos 12 parentes foram sepultadas ali. Eles lembraram que o cemitério tem valor histórico inestimável mas a cada ano que passa está mais abandonado. Por causa do chão de terra vermelha, a limpeza dos túmulos feita no final de semana não durou nem até o Dia de Finados. ''O tempo passa, entra prefeito, sai prefeito e ninguém faz nada por esse cemitério'', reclamou. Ela opinou que prefeitura poderia espalhar, pelo menos, pedriscos para melhorar as condições para os visitantes. ''Se hoje (ontem) tivesse chovendo não tinha nem como vir até aqui'', disse Elizabete, que também criticou as péssimas condições do banheiro.
Essa situação de abandono, no entanto, deve perdurar por pelo menos até 2007 porque, segundo o superintendente da Acesf, Osvaldo Moreira Neto, não há previsão de obras no local para o próximo ano. '' Não temos recurso para fazer a pavimentação asfáltica.'' Ele garantiu que a limpeza é feita regularmente e que para o feriado de ontem, o mato foi roçado e o muro recebeu pintura nova.


