A viatura existe, os profissionais estão de prontidão mas muitos atendimentos de urgência e emergência solicitados atrasam ou mesmo deixam de ser prestados por falta de maca. Isso porque parte dos equipamentos do Samu e do Siate chega a ficar retida nos hospitais por até dois dias. Sem macas, as ambulâncias simplesmente não tem como sair do pátio. O Ministério Público promete agir.
O coordenador de enfermagem do Samu, William Paduan, advertiu que o problema é crônico. Ele informou que o serviço conta com 10 ambulâncias (sendo quatro reservas) e, mesmo assim, não é possível atender todas as solicitações de ajuda. ''A população precisa ficar ciente de que muitas vezes o Samu demora para atender ou até mesmo não consegue chegar porque simplesmente não dispõe de viatura com maca'', afirmou. O Samu recebe uma média de 200 ligações por dia e cada ambulância atende pelo menos 10 ocorrências por turno de 12 horas.
Paduan citou que a retenção de maca é diária e, mesmo usando o equipamento das ambulâncias de reserva, acaba tendo problemas, principalmente com os hospitais terciários. Mas há casos de retenção em outros estabelecimentos de saúde, como maternidades e pronto-atendimento 24 horas. A justificativa usual é que a superlotação não permite que o paciente seja acomodado em outro lugar. ''O que percebemos, porém, é que em certos casos há má vontade dos profissionais'', criticou Paduan.
Capacidade
O coordenador afirmou que o Samu deixa a maca no pronto-socorro, enquanto o paciente recebe os primeiros atendimentos. Mas não pode esperar indefinidamente pela liberação. Por conta disso, a coordenação do Samu já reclamou, por escrito, ao promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares. Mesmo assim, a prática persiste desde quando o serviço foi criado, há quase seis anos. O problema se repete com as ambulâncias do Siate.
O promotor Paulo Tavares adiantou que vai discutir o assunto novamente com os hospitais e que irá entrar em contato com Samu e Siate para que enviem um ofício à Promotoria relatando a situação. ''Sabemos que os três hospitais de referência atendem além de suas capacidades e, por isso, temos que ter paciência e não podemos ser tão rigorosos. Mesmo assim, eles têm que tomar mais cuidados e fazer com que as macas fiquem o mínimo possível nos prontos-socorros'', avaliou Tavares. Ele comentou que tanto os hospitais quanto os serviços de urgência e emergência precisam ampliar sua capacidade de atendimento para dar conta da demanda.

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