Falta de luz em quadra é driblada com velas
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segunda-feira, 07 de agosto de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Por entre os vultos amarelados criados pela luz fraca que brota das velas, crianças e adolescentes moradores do Jardim Parati (Zona Norte de Londrina) vão trilhando uma história de descaso que persiste há anos. A única quadra de esportes do lugar e que serve a pelo menos outros cinco bairros próximos não tem iluminação. Para que possa ser utilizada, o jeito foi inventar o futebol à luz de velas, um retrato que poderia até ser poético se não fosse mais um exemplo do esquecimento vivido pela periferia.
Na última sexta-feira, a Folha acompanhou a saga que os meninos e meninas da região enfrentam todo final de tarde para utilizarem a quadra, que fica ao lado da Escola Municipal Cláudia Rizzi. De tanto terem que driblar as dificuldades, eles aprenderam a lidar com a situação de forma criativa. Leonardo Ferrari Barbosa, 7 anos, contou que o mais difícil é enxergar a bola. O colega Rhaillan de Carvalho, 9, completou que a saída é usar bolas brancas ou cinzas, ''mais fáceis de ver no escuro''.
Num dos lados o poste de iluminação da rua até ajuda, mas não é suficiente. As partidas, falou Carlos Henrique Rosa, 13, duram o tempo em que as velas colocadas atrás dos gols aguentam acesas. Depois, é preciso descalçar os tênis e seguir para casa. ''Quando a vela acaba a gente pára, anota o placar e continua no outro dia'', revelou.
Uma das únicas meninas a enfrentarem a meia-luz da quadra, Scarlet Oliveira Rodrigues, 10, lembrou que o lugar é o único da região que eles têm para brincar. ''Sem a quadra, só sobra a rua'', lamentou. E não é a só a turma do futebol de salão que usa o local como espaço de lazer. Adolescentes que preferem o skate à bola também pedem melhorias. ''Poderia ser de madeira mesmo, pequenininha'', pediu o praticante Diego Ramon, 16. Ele e sua turma enfrentam o trânsito para vencer a distância até o Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa, no Centro, onde existe uma pista de skate.
O representante da Associação dos Moradores do Jardim Parati, Cláudio Maciel, afirmou que até os padres da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus contribuem doando tocos de velas que sobram das celebrações. Comerciantes da região também fazem sua parte. Quando nem isso é suficiente, Maciel coloca a mão no bolso e compra alguns pacotinhos de velas para a criançada. ''Se a quadra tivesse iluminação, isso aqui poderia estar muito mais organizado. Já pedimos ajuda à Fundação de Esportes de Londrina (FEL) mas não fizeram nada'', apontou Maciel. A situação está assim há quase uma década. Agora, ele espera a ajuda prometida pela Secretaria Municipal de Obras, que ficou de mandar um engenheiro ao local para avaliar a instalação dos refletores.


