Londrina - Nem sempre é fácil fazer a coisa certa. Jogar o lixo no local destinado a ele, por exemplo, pode ser bem complicado em várias ruas de Londrina. Lixeira é algo em falta em vários quarteirões e muitas, quando existem, estão sem possibilidade de uso devido à má conservação e ao vandalismo. Em janeiro do ano passado a FOLHA fez uma matéria sobre o assunto e, infelizmente, não parece ter havido melhorias.
Na Rua Sergipe (centro), mesmo com a recente reforma, é preciso andar por duas a três quadras até encontrar uma lixeira. Em geral elas estão localizadas próximas aos pontos de ônibus, mas isso não é regra. Na Rua Guaporé, também de grande movimento, é bem raro encontrar um local adequado para descartar os resíduos e os que existem em geral foram colocados pelos comerciantes. Em outros locais, como na Rua Souza Naves, há três delas em um mesmo quarteirão, demonstrando não haver um critério exato para a colocação.
No trecho reformado do Calçadão (centro) também há várias lixeiras, com a estrutura em concreto, para evitar a ação dos vândalos. O problema é que a cesta interna não pode ser removida para facilitar a retirada do lixo e não há lugar para escoar a água da chuva. O resultado não é difícil de imaginar.
Aliás, a falta de padronização é um outro problema. No trecho ainda sem reforma do Calçadão, assim como por outras ruas, há dois tipos de recipientes: um maior, feito com tela; e outro menor, com dois cestos, um para resíduos orgânicos e outro para recicláveis. Muitos estão amassados ou com o fundo solto. Também não é incomum encontrar só o suporte, sem cesto, ou o mesmo acomodado no chão, ao lado.
A assistente social Silvania Martins reclama que em seu bairro, o Aeroporto (zona leste), as lixeiras também não existem. "A gente bebe uma água e tem que andar com a garrafa na bolsa, porque não tem onde jogar. O pior é que nem todos têm essa consciência e jogam no chão. Achei boa a ideia de terceirizarem para o empresários, já que a prefeitura não dá conta", diz.
A referência é à modificação na Lei Cidade Limpa, que agora irá permitir que empresas, através de licitação, cuidem dos espaços públicos, como as praças, rotatórias e outras áreas verdes e de peças do mobiliário urbano, como lixeiras, pontos de ônibus, placas de rua, pontos de táxi e bancos, em troca de publicidade.

Vandalismo
Um dos critérios da lei é que os lotes licitados contemplem não só áreas centrais mas também bairros mais distantes. Na zona norte também é fácil constatar que lixeiras são itens raros e na maioria das vezes foram colocadas por moradores e comerciantes. Próximo a uma academia ao ar livre, um exemplar já velho e gasto pelo tempo também contou com a ação de vândalos. Ao lado, caixas de papelão e restos de fogos de artifício mostram que a comunidade também não faz sua parte.
"Sempre está assim e até pior. As poucas que têm estão quebradas, aí jogam o lixo no chão. Eu saio carregando o lixo até em casa, mas muitos não fazem isso. E quando chove, já viu né?", conta a cozinheira Silvana Orlandi, moradora do Jardim Catuaí (zona norte). De acordo com ela, no seu bairro as lixeiras existentes também foram colocadas pelos moradores. "Espero que com essa nova lei melhore e lembrem de nós, porque ficamos muito esquecidos aqui na zona norte", reclama.
A balconista Mary Alessandra Miranda da Silva e a dona de casa Margarida de Oliveira Silva são vizinhas, contam que com frequência andam pela Avenida Saul Elkind e sempre se deparam com o lixo espalhado pela via. "Aqui falta lixeira e, quando tem, não tem fundo. Tem que educar a população e também multar, porque quando dói no bolso as pessoas obedecem", diz Mary. "Acho que o problema está na cidade toda e não só aqui", afirma Margarida.

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