Falta de limites contribui para a criminalidade
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terça-feira, 14 de junho de 2005
Fernando Rocha Faro e Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Família desestruturada, com dificuldade para impor limites aos filhos. Na opinião dos participantes do debate sobre violência entre menores, promovido pela Folha, este é um fator determinante para o envolvimento de menores com a criminalidade. A promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria Silva de Paula, considera que os pais não estão sabendo dizer não aos filhos. ''Educar é um processo lento. O não deve ser não sempre'', enfatiza.
Segundo os especialistas, as famílias atuais reproduzem uma sociedade que vive uma crise de valores sem precedentes. ''A sociedade está baseada no ser, no ter e no poder. A mãe também já é produto do meio social'', destaca a coordenadora do projeto Murialdo, Jaqueline Micali.
A inserção da mulher no mercado de trabalho também é apontada como um dificultador na educação dos filhos. Jornadas duplas, triplas de trabalho influenciam no tempo e na qualidade da convivência com os filhos, destacam. ''As famílias deixaram de ser espaço de apoio para também se tornarem um local de consumo'', constata a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Cristina Coelho. Ela lembrou que há algum tempo as mães saiam para trabalhar e deixavam os filhos com parentes, vizinhos. ''Hoje contrata-se uma pessoa e esta não tem obrigação de educar, estabelecer vínculos com os filhos que não são dela'', afirma.
A ''frouxidão moral'', como definiu o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Alvino Aparecido Filho, também é percebida na precarização do sistema educacional. ''É a mercantilização da educação'', sentencia Aparecido Filho. De acordo com Édina de Paula, em muitas escolas particulares os professores estão tendo que se resignar com a indisciplina. ''Agora você não pode mais punir, reprovar aluno, senão o pai vai tirar o filho do colégio e ele representa dinheiro'', denuncia Édina.
Apesar dos avanços, a comunidade também erra ao não coletivizar o problema do envolvimento de menores com o crime. A banalização da violência e a ausência da mobilização popular na cobrança de investimentos públicos também foram citados pelo debatedores. ''Hoje os jovens cometem crimes cada vez mais violentos e a sociedade não se indigna com isso. A partir do momento que a coletividade aceita este sistema espúrio está se calando e permitindo que tudo isso permeie as nossas famílias'', reflete o subcomandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Altivir Cieslak. ''O adolescente usa a linguagem da violência para pedir socorro, para requisitar um pouco de atenção exigindo que lhe dê limites. Se ele não encontra isso nos controles formais (Estado, família, escola) encontrará no tráfico que possui uma hierarquia rígida e leis implacáveis'', enfatiza Cieslak.
Para Alvino Aparecido Filho, o combate à criminalidade depende da mobilização popular. ''Não é construindo muros, instalando guaritas, que a situação da segurança pessoal se resolverá. Temos que assumir o ônus da responsabilidade. Não vamos resolver o problema da violência envolvendo menores em Londrina tratando-o de forma individualista'', finaliza.
Além da promotora Édina de Paula, da presidente da CMDCA, Cristina Coelho, de Alvino Filho, do Conselho de Segurança, da coordenadora do Projeto Murialdo, Jaqueline Micali, e do capitão Cieslak, do 5º BPM, também participaram do debate na Folha a diretora do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), Odila Santos Cabral, o Comandante da Patrulha Escolar, tenente Fábio Bonifácio Ferreira, a diretora do Programa Sentinela, Telcia Lamônica de Azevedo Oliveira, e o representante do Conselho Tutelar, Danilo Rafael de Castro.


