Falta de leitos dificulta cirurgias no HU
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quinta-feira, 04 de setembro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O problema da superlotação foi aliviado parcialmente ontem no Hospital Universitário (HU) de Londrina. Após a transferência de alguns pacientes e a liberação de outros, o número de pessoas internadas precariamente pelos corredores da instituição, em macas e cadeiras, caiu de 22 na quarta-feira para 16 ontem. Segundo o diretor-clínico Sinésio Moreira Júnior, a falta de leitos para internação dificultou a realização de cirurgias de emergência. Um rapaz que fraturou a perna teve que esperar dois dias para ser operado, o que só ocorreu no início da tarde de ontem.
''Nos casos mais urgentes de cirurgia, estamos analisando caso a caso'', apontou o diretor. Ele citou que, mesmo no auge das dificuldades, anteontem, o HU não negou atendimento a quem procurou o local. ''Tanto é verdade que ontem (quarta-feira) atendemos 180 pacientes. Não negamos atendimento, apenas expusemos as dificuldades a quem nos procurou e deixamos claro que na maioria dos casos seria necessário esperar'', comentou.
Ontem, segundo Moreira, houve menos dificuldades porque a procura no pronto-socorro (PS) foi menor. O diretor elogiou a ''sensibilidade'' da população, que soube do problema de superlotação pela imprensa e procurou outros hospitais da cidade. Mesmo assim, algumas dificuldades persistiram. De acordo com o diretor, o pronto-socorro de ortopedia suspendeu temporariamente o atendimento até as 15 horas de ontem. O PS de clínica médica foi desviado para o ambulatório até o final da tarde.
Ontem à tarde, dois pacientes estavam sendo atendidos numa sala de emergência que normalmente recebe apenas uma pessoa por vez. Uma delas era Sílvia Aparecida da Silva, funcionária do próprio HU e que está em férias. Segundo o irmão da funcionária, o assistente administrativo João Bispo da Silva Filho, ela teve uma crise de pressão alta. ''Chegou a desmaiar'', disse ele.
Para aliviar a superlotação, o HU ainda estava dependendo de transferências até o início da noite. Segundo informações da Central de Vagas, anteontem o HU requisitou quatro vagas em outros hospitais. Três pacientes foram para o Hospital Evangélico e uma quarta vaga foi disponibilizada no Hospital João de Freitas, em Arapongas, mas o HU voltou atrás no pedido. Ontem, no final da tarde, o hospital requisitou mais duas transferências para adultos.
Moreira reafirmou ontem que as sucessivas crises de superlotação só serão evitadas com a ampliação do pronto-socorro do HU. Ele citou que existe um projeto para a disponibilização de 25 leitos, o que custaria R$ 2,5 milhões. Ontem, o chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Saúde, Gleden Teixeira Prates, afirmou que existem ''vários possíveis projetos'' para a ampliação, e que tanto a Saúde quanto a Secretaria de Ciência e Tecnologia irão requisitar recursos nos orçamentos de 2004 e 2005 para a obra. ''Para 2003, é impossível'', disse ele.


