Edson GuittiAgoniaMédicos tentam salvar paciente com uma crise de cirrose hepática, que não resiste e morreMais uma pessoa morreu no Hospital Universitário (HU) enquanto esperava vaga através do Sistema Único de Saúde (SUS) nos hospitais de Maringá. Dorival Antonio Galo, 43 anos, morreu ontem, por volta das 15h30, depois de uma crise de cirrose hepática. O paciente estava internado no HU desde domingo e aguardava uma vaga em um hospital com Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
No domingo, oito pessoas estavam internadas no HU, sendo que cinco precisavam ser encaminhadas para UTI. O paciente Fausto Dionísio da Silva deu entrada no HU domingo de manhã. Ele estava com afundamento de crânio e só conseguiu uma vaga no Hospital Paraná, ontem de manhã, através de convênio particular. Até ontem à tarde, três pacientes ainda esperavam vagas de UTI.
Diante da falta de leitos pelo SUS, os médicos que faziam plantão no domingo tiveram que ‘‘sortear’’ os pacientes para uma vaga que surgiu no final da tarde, no Hospital Santa Casa. A ‘‘sorteada’’ foi a gestante Maria da Penha da Silva. O critério de escolha da paciente levou em conta as chances de sobrevivência da gestante e também do bebê.
De acordo com o diretor superintendente do HU, Esmeraldo Costa Filho, a falta de leitos pelo SUS está insustentável em Maringá. Ontem à tarde, um dos diretores do HU teve uma crise de depressão e estresse, após a morte de Dorival Antonio Galo. ‘‘Nós tentamos salvar Dorival que provavelmente teve rompimento de varizes, mas foi impossível. É difícil de avaliar, mas certamente ele teria mais chances se estivesse recebendo tratamento em UTI’’, afirmou Costa Filho. Ele também ficou bastante abalado com a morte do paciente.
Segundo Costa Filho, o sorteio de pacientes para as poucas vagas que surgem nos hospitais credenciados pelo SUS, é o reflexo da crise em Maringá. Ele lamentou o ocorrido. ‘‘Nós não temos o direito de escolher qual paciente terá direito ao atendimento, mas não nos resta outra alternativa’’, disse.
Num desabafo, Costa Filho afirmou que as autoridades ligadas à área de saúde deveriam ficar mais sensíveis aos problemas de falta de leitos em Maringá. ‘‘Nós não somos Deus para escolher quem merece ou não ter atendimento e ser salvo, mas se o município e o estado não refletir sobre o que está acontecendo, vamos ter que conviver com este problema por muito tempo, porque os pacientes chegam a todo dia e não temos condições de prestar atendimento cirúrgico’’, lamentou.

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