Falta de leitos atrasa cirurgias
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segunda-feira, 21 de junho de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Há três anos na fila de espera por uma cirurgia vascular, a pensionista Pedrina da Silva, 64 anos, admitiu que chegou a pensar que os médicos tinham desistido do caso dela. Em um dos concorridos leitos do Hospital da Zona Norte (HZN) ontem à tarde, porém, ela mostrou com um misto de satisfação e alívio as duas pernas recém-operadas das varizes. ''Sei que ainda preciso aguentar alguns dias até voltar a costurar, mas para quem esperou tanto, isso é quase nada'', desabafou.
Apesar do final feliz, o caso de dona Pedrina pode ser considerado uma exceção na realidade do hospital. Há cerca de um mês, a superlotação nos leitos do Pronto-Socorro (PS) exigiu que cirurgias eletivas (agendadas com antecedência) como a dela tivessem de ser suspensas para comportar o fluxo de pacientes internados. Conforme o diretor-geral do HZN, Paulo Gutierrez, mais de 50% das cirurgias foram adiadas. Das 20 cirurgias que eram realizadas por dia, hoje são somente oito, em média.
''Dos nossos 25 leitos cirúrgicos, 12 são destinados para pacientes do PS. Com isso, a gente vive ligando para quem ia operar pedindo que espere mais tempo na fila. É um transtorno'', contou. O diretor frisou que HZN recebe somente os casos de média complexidade.
Na opinião do diretor, uma possibilidade de solucionar o problema é otimizar os atuais 25 leitos. ''Na quarta-feira, uma comissão do HZN se reúne para analisar se, no intervalo de 12 horas, aumentamos o número de cirurgias realizadas'', apontou. Mas não é só isso. ''Nossa última reforma foi há 10 anos, e a região Norte de Londrina cresceu muito nesse tempo. Precisaríamos de mais vagas.''
No Hospital da Zona Sul (HZS), a situação não é muito diferente. O diretor clínico, Ronaldo Silveira de Paiva, contou que todas as 180 cirurgias eletivas mensais estão suspensas há quatro semanas, também pela superlotação clínica dos 41 leitos de enfermaria 12 dos quais, cirúrgicos. ''A maior parte de nossos atendimentos no PS são de caráter primário, próprios de Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Mas, de forma geral, a falta de leitos não tem refletido o crescimento da cidade'', avaliou.
No HZN, o diretor geral afirmou que pacientes de UBS representam da mesma forma uma grande parcela dos atendimentos. ''De cerca de 250 pessoas que atendemos ao dia, pelo menos 80 são casos de UBS'', disse.
Responsável pelo agendamento das cirurgias no HZN, a assistente administrativa Lucinéia Zacarias afirmou que, só na fila de otorrino, são mais de 500 à espera. ''Tem paciente que tem enfermidade média e que, pela espera, vira caso urgente'', relatou.
Por sorte, esse não foi o caso da dona-de-casa Luzia Martins, 54. Com má circulação nas duas pernas, depois de 11 meses de espera, enfim ela foi operada. ''Se minhas filhas não tivessem me incentivado, juro que já teria desistido'', confessou. Sorte semelhante seria obtida ontem às 17 horas pela dona-de-casa Maria das Dores Nogueira, 53 esse era o horário da operação intestinal a que seria subetida. ''Acho que foi Deus quem me ajudou a esperar tanto tempo, que nem me lembro mais.''


