Falta de legislação compromete tecnologia
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
O avanço tecnológico do sistema bancário tornou-se uma faca de dois gumes. Se por um lado facilita a vida dos clientes, por outro pode representar um risco. A legislação brasileira não acompanhou essa evolução e até hoje o País não tem uma lei específica para crimes eletrônicos e nem regras de segurança para esse tipo de serviço.
Um exemplo recente dessa situação foi o roubo nas contas de oito clientes do Banestado em Londrina através do telefone e internet. Mario Celso Aranda e Zadeir Ferreira dos Santos são acusados de transferir R$ 30 mil para a conta de cinco laranjas nos últimos dois meses. Flagrados pelos investigadores tentando roubar mais R$ 12 mil, eles confessaram o crime e entregaram o nome dos cúmplices, mas não ficaram presos. Segundo o delegado operacional Márcio Vinícius Ferreira Amaro, não foi possível configurar um flagrante por falta de uma base legal. O inquérito ainda não foi concluído, no entanto, o delegado já indiciou as sete pessoas envolvidas.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina José Francisco da Silva, disse que o assunto gerou emendas a projetos de lei em análise no Congresso Nacional. Mas, por enquanto, cada banco escolhe o próprio sistema de segurança em serviços eletrônicos. Silva disse que não é contra a automação, desde que ela garanta os postos de trabalho e a tranquilidade dos clientes. Na segunda semana de dezembro, membros do sindicato realizaram uma panfletagem em frente à agência da Caixa Econômica Federal, no centro da cidade, criticando as demissões, a falta de funcionários e o fato dos clientes precisarem usar caixas eletrônicos e casas lotéricas se não quiserem enfrentar filas imensas.
A assessoria de imprensa da Caixa garante que a segurança dentro das agências é total, mas preferiu não revelar seu esquema. Para tranquilizar o cliente que movimenta sua conta via on-line, o banco lembra que tem o maior cadastro da América Latina com os segurados do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Segundo a instituição, esse saldo já pode ser consultado através da internet e segue o mesmo modelo já utilizado por clientes da Caixa.
O Unibanco está lançando um novo equipamento que impede o acesso e manuseio do dinheiro por funcionários. Trata-se do Tele Assist (TA), ou cash dispenser, uma máquina que pode ser utilizada por dois usuários ao mesmo tempo. Ela fará recebimentos, pagamentos e depósitos automaticamente. Num primeiro momento, o projeto beneficiará mais de 550 agências consideradas dentro das áreas mais visadas por assaltantes. A implantação está dividida em três fases que custarão cerca de R$ 30 milhões. Até o final deste ano, os equipamentos serão instalados em cerca de 200 agências de São Paulo e região metropolitana, além de Baixada Santista e região do Vale do Ribeira. No ano que vem, mais de 150 agências do Rio de Janeiro e Grande Rio estarão com os novos equipamentos e, numa terceira fase, ainda em 2001, cerca de 200 agências dos outros Estados também farão parte do projeto.
O Banco do Brasil disse que nunca registrou qualquer tipo de roubo eletrônico, mesmo assim tenta se prevenir dos hackers. De acordo com sua assessoria de imprensa, uma maneira de barrar a ameaça dos ladrões é exigir uma senha diferente para os usuários da internet com dois dígitos a mais. Além disso, o banco utiliza o monitoramento interno de TV, a informação através de folders e o atendimento pessoal nos caixas eletrônicos.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) tem uma comissão de segurança que oferece sugestões às instituições financeiras. São itens gerais que também lembram ao cliente a responsabilidade sobre a divulgação de suas informações pessoais e financeiras.


