A demora no atendimento é apenas uma ponta do iceberg no atendimento; em busca de informações a reportagem da Folha precisou percorrer diversos corredores e passar por várias chefias dentro do hospital.
A primeira estação dessa busca foi a sala do gerente clínico, Francisco Pereira Silva, que recebeu a reportagem, juntamente com a gerente de enfermagem, Myrian Kikuchi.
Silva disse que é normal a pessoa se sentir revoltada ao chegar às 6h30 ao hospital e conseguir ser atendida às 8 horas, sem perspectiva de fazer a coleta de sangue, acrescentando que sabia tanto quanto a reportagem sobre o que teria acontecido. O gerente clínico justificou, dizendo que assumiu a função na última quinta-feira.
''Estamos verificando. Acabei de falar com o senhor que fez a reclamação. Vamos perguntar para a chefia imediata para tomar as providências. Agora, se você chegar a uma instituição pública que não tenha falta de funcionários, essa instituição não está falando a verdade'', afirmou Silva.
Ao ser questionado sobre uma justificativa para a falta do funcionário, o gerente clínico disse que não trabalha em cima de hipóteses, que ninguém no hospital está para a guerra e que em meia hora poderia até saber alguma coisa. Sob o argumento de que a equipe de reportagem esperaria por uma resposta, o diretor arrematou com uma evasiva: ''Nesse caso, você tem que dormir aqui. Pode demorar vários dias'', concluiu, orientando que procurássemos a encarregada do setor de coletas.
Vera Lúcia Tatakihara, encarregada do setor de coletas, explicou que a coleta de exame somente pode ser feita depois que o pedido médico recebe uma etiqueta com o número do paciente.
Desde às 7 horas, os servidores que realizam a coleta de material estavam trabalhando, mas sem a tal da etiqueta ficou bloqueado.
''Eu sou encarregada do setor de coleta; para lá é outro setor (a etiquetagem)'', justificou Vera Lúcia, acrescentando que em média, diariamente, o setor de coleta atende 100 pacientes. Ela orientou a reportagem para que procurasse a pessoa responsável pelas etiquetas.
Depois de percorrer alguns corredores, atrás de explicações, a equipe da Folha chegou ao Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same), responsável pelo agendamento de consultas, controle, guarda e distribuição dos prontuários.
A encarregada, Cássia de Oliveira, explicou que o setor tem uma deficiência de funcionários e que um servidor está de licença médica. ''Tivemos que deslocar uma pessoa para trabalhar na etiquetagem. A demora aconteceu porque primeiro ela tinha que separar prontuários para consultas, antes de subir para o atendimento ao público. Até que o servidor volte da licença médica ficará assim'', argumentou Cássia.
A encarregada disse ainda que o Same conta com 17 servidores, afirmando que seriam necessárias as contratações de pelo menos mais dois funcionários para suprir a demanda. Uma resposta que não precisava ficar perdida nos corredores do hospital público, irritando quem espera por atendimento e não recebe nenhuma justificativa.(F.L)

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