A Pastoral da Criança de Guarapuava atua há 10 anos ajudando a diminuir o índice de mortalidade infantil no município, que é considerado um dos mais altos do Estado. Cerca de 33 de cada mil crianças nascidas vivas morrem antes de completar um ano de idade. Este índice é maior do que no Ceará, onde 25 de cada mil crianças nascidas vivas acabam morrendo.
Desempenhando um trabalho de apoio, as irmãs de caridade e as voluntárias da Pastoral da Criança atendem cerca de 3,5 mil crianças em todo o município. São 250 agentes voluntárias que atuam nos bairros e distritos de Guarapuava.
Elas realizam visitas e reuniões, onde orientam as mães sobre higiene, alimentação alternativa, soro caseiro, vacinas e conscientização espiritual. As agentes promovem ainda o ‘‘Dia do Peso’’, um encontro mensal realizado em todos os bairros. Neste dia, as crianças acompanhadas pela pastoral são pesadas e recebem sopa feita com a farinha multimistura.
As agentes comunitárias reclamam que muitas vezes o trabalho de conscientização é dificultado por causa da desinformação das mães. Em casos graves de desnutrição, as voluntárias verificam diariamente se as mães estão utilizando a multimistura. As crianças que participam do ‘‘Dia do Peso’’ são controladas pelas agentes, que analisam todas as variações de peso da criança. Se apresentar peso inferior ao normal para sua idade e se estiver emagrecemdo com muita rapidez, a mãe é orientada a procurar o posto de saúde e a usar com mais frequência a farinha multimistura.
Segundo a coordenadora da Pastoral da Criança em Guarapuava, Joceli de Fátima Ramos, as agentes encontram muitas dificuldades para acompanhar algumas crianças carentes. Muitas vezes, a pastoral precisa do auxílio do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente. ‘‘A pobreza aqui é tão grande que muitos pais se fecham e não conseguem mais se socializar. Isso acaba prejudicando a saúde das crianças. Alguns mães deixam os filhos morrerem por não aceitarem ajuda. Elas não tem consciência da gravidade de uma desnutrição’’, afirma. Em 1996, das três mil crianças acompanhadas pela pastoral, apenas 11 morreram. Das que morreram, nove tinham menos de um ano de idade.
A dona-de-casa, Zenedir Martins, 37, cinco filhos e grávida do sexto, conta que a filha Ezilda, com um ano e oito meses de idade, já nasceu com peso baixo e que apresentou melhora depois que começou a ser acompanahda pela pastoral. ‘‘Sempre dou mingau feito com a farinha e noto a diferença. Depois que ela passou a ser acompanhada pela pastoral ela melhorou bastante. Antes minha filha sempre estava doente’’, disse.

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