Edson MazzettoO empresário Selvino Bigolin mostra doação que fez ao fundo municipalProgramas de amparo às crianças carentes poderiam ser impulsionados nos municípios com contribuições descontadas do Imposto de Renda (IR), mas são poucas as doações de empresas e pessoas físicas, o que é consequência de desinformação mas, principalmente desinteresse, segundo avaliação feita em Cascavel. Órgãos de assistência liderados pela Secretaria de Ação Social e Provopar estão aproveitando a proximidade do período de entrega das declarações de renda para sensibilizar empresas e profissionais liberais.
As contribuições podem ser feitas nas cidades onde esteja constituído o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. As pessoas físicas podem destinar até 10% da base de cálculo do IR, e as empresas 1% do que tiverem a pagar, com o simples preenchimento de uma guia, sem custos nem burocracia, diretamente nos escritórios de contabilidade. ‘‘É um gesto de boa vontade’’, observa a secretária de Ação Social, Regina Barreiros Bento.
O vereador Atair Gomes da Silva (PDT), ex-presidente do Sindicato dos Contabilistas de Cascavel (Sincovel), observa que 99% do imposto pago pelas empresas são aplicados em obras e programas ‘‘que o empresário não pode controlar, e até mesmo não sabe para onde vai, mas ele pode decidir o destino do 1% restante’’. Nos últimos dois anos, o Sincovel empenhou-se em campanha sobre as doações mas a receptividade, segundo Atair, foi insignificante.
Entre os clientes de seu próprio escritório, as doações somadas revertem mensalmente em cerca de R$ 400,00 ao Fundo local. No município existem perto de 50 escritórios de contabilidade. A estimativa de Atair Gomes da Silva é de que as contribuições poderiam chegar a mais de R$ 30 mil. Em fevereiro, isto significaria quase um terço dos gastos da Prefeitura com a Secretaria de Ação Social, que foram de R$ 65 mil.
No caixa do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, a quem é vinculado o Fundo, há apenas R$ 2 mil, segundo relatou ontem Regina Barreiros Bento. Segundo ela, a secretaria precisaria de R$ 3 milhões para uma boa atuação durante o ano. Entre as ações estão o atendimento a 1.300 crianças em 22 creches (são necessárias mais 20), programas do Centro de Atendimento e Orientação ao Menor (Caom), onde estão 25 meninos de rua (há possibilidade de atender até 120), e apoio à entidades comunitárias que atuam com mais de 400 crianças.
Boa vontade O empresário Selvino Bigolin, do ramo de materiais de construção, decidiu espontaneamente há dois anos fazer doações de sua empresa ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Ele não revela o valor doado. ‘‘Se um grande número de empresas fizer a doação, será possível reduzir os problemas sociais que envolvem as crianças carentes e suas famílias, através das ações das entidades organizadas’’. Selvino Bigolin observa que isto ‘‘dá o direito de cobrar depois uma atuação mais eficiente destas entidades’’.

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