Falta de informação ainda gera preconceito contra transexuais
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segunda-feira, 26 de outubro de 1998
Andrea Vendramini 
Os transexuais vivem na clandestinidade. A falta de informação sobre o problema, inclusive entre profissionais da área de saúde, impede que estatísticas sejam feitas. Apesar de não se saber quantos transexuais vivem no País, médicos especialistas em disfunções sexuais concordam que são poucos os que têm acesso a tratamento adequado - que pode incluir orientação psicológica e exames clínicos para ajudar a definir a identidade sexual e posterior cirurgia para adequar os genitais. O preconceito está relacionado à grande confusão sobre o que caracteriza os transexuais, muitas vezes confundidos com travestis ou homossexuais, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual e dos Eventos sobre Disfunção Erétil e Transexualismo, Márcio Dantas de Menezes.
O transexualismo e outros problemas, como a ejaculação precoce e a impotência, serão discutidos no Congresso Brasileiro de Disfunção Sexual - I Simpósio Brasileiro sobre Transexualismo que acontece em Londrina a partir de quinta-feira. O objetivo do encontro é promover o preparo de profissionais para diagnosticar os transexuais e lidar com o problema. O transexualismo caracteriza-se por uma alteração na formação do indivíduo, que se dá nos cromossomos dois e cinco, explica Menezes. O problema nada tem a ver com os comportamentos sexuais, mas com a ausência de uma enzima importante para definir a feminilidade e a masculinidade.
A cirurgia para resolver o problema - autorizada neste ano no Brasil em caráter experimental - custa entre US$ 30 mil e US$ 100 mil. Somente no Paraná, 38 pessoas estão sendo auxiliadas para definirem sua identidade sexual. Elas são atendidas por um comitê especializado, criado há oito meses, com sede em Londrina, Curitiba e Maringá.
No evento também serão apresentadas novidades no tratamento da ejaculação precoce, como a acupuntura, a pílula anticoncepcional masculina - que deve estar no mercado brasileiro dentro de três anos - e o Vasomax, medicamento semelhante ao Viagra que será lançado esta semana num congresso no México.


